6 de outubro de 2013

Quase tudo na mesma


Entrar bem no jogo - Check

Entrar em coma depois de estar em vantagem - Check

Exagerar nas faltas cometidas - Check

Sofrer golos de bola parada - Check

Piorar o jogo com as substituições - Not check

Desta vez, Paulo Fonseca soube mexer na equipa e as substituições foram, gradualmente, devolvendo o controlo do jogo à equipa e dando-lhe mais profundidade. Ao contrário do que se passou com o Atlético, a saída de Lucho não prejudicou a equipa. E quanto à entrada de Quintero...bem, parecia que o treinador estava a adivinhar que o colombiano iria ter aquele livre para marcar, uma vez que mexidas aos 90 minutos dificilmente surtem efeitos.

Herrera estreou-se a titular e, sem fazer um jogo brilhante, esteve a bom nível e não se escondeu do jogo. Pelo contrário, Varela nunca pareceu sair do balneário, sequer.

Segue-se uma paragem para as selecções e vamos ver se fará bem ou mal à equipa. Continuamos a ter aversão à circulação de bola e acumular faltas junto à nossa área, como que a pedir o que Pintassilgo ofereceu. Menos mal que, quase um ano depois, voltámos a marcar de livre directo em jogos oficiais, Quintero sempre pareceu ter jeito para a coisa e hoje confirmou-o.

Se baixar as linhas e deixar o adversário ter iniciativa depois de estar em vantagem é uma opção, tem urgentemente que mudar, Paulo.

Uma Liga Profissional muito pouco profissional

Dia 25 de Agosto de 2013, o Chaves recebe e bate o Marítimo B por 1-0 em jogo que teve inicio às 16h00. Nesse mesmo dia às 19h45, o FC Porto dá inicio ao jogo que venceria por 3-0. O adversário era a formação principal do Marítimo.

Dia 15 de Setembro de 2013, às 15h00 tem inicio o Sporting B-Santa Clara que terminou com uma vitória por 2-1 da equipa da casa. Mais tarde, às 17h45, Olhanense e Sporting começam a medir forças. O jogo terminou com 0-2 favorável aos Leões.

Hoje, 6 de Outubro de 2013, no momento em que escrevo este post, o Benfica B vai vencendo o Académico de Viseu por 2-0 num jogo que teve o seu inicio às 16h00. Mais logo, às 20h15, está marcado o Estoril-Benfica.

Todos estes jogos têm algo em comum: a irregularidade. Segundo o Artigo 13.º do Anexo V do Regulamento das Competições Organizadas Pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional, "os jogos das equipas B não podem ter lugar no mesmo dia de calendário dos da equipa principal".


Depois de na época transacta a Liga Portuguesa de Futebol Profissional ter feito uma enorme confusão no Caso das 72 horas e ter mostrado uma enorme falta de conhecimento dos seus regulamentos, esta época tem permitido estas situações que são ilegais aos olhos das regras definidas pela própria Liga.

Os clubes envolvidos não se encontram livres de responsabilidades mas, mais triste de que os dirigentes não saberem as regras das competições onde os seus clubes estão envolvidos, só mesmo os próprios organizadores não imporem o regulamento ou, pior ainda, não terem conhecimento do mesmo.

5 de outubro de 2013

O lado positivo da derrota


Uma derrota ajuda sempre a que se pense sobre as coisas. E muito se tem debatido os problemas do FC Porto nos últimos dias. Na altura, achei que o empate frente ao Estoril tivesse sido suficiente para que Paulo Fonseca percebesse que alguma coisa estava a correr mal. Os sinais eram evidentes e apontei-os ainda antes desse empate em «Os erros de Paulo Fonseca». Pensei que seria possível corrigir alguns comportamentos e evitar que a derrota chegasse tão cedo na época, mas estava enganado.

Miguel Lourenço, no blog Reflexão Portista, questiona se o treinador do FC Porto estuda os adversários e acusa-o de preparar mal os jogadores para enfrentar o adversário. Embora concorde com algumas coisas do que aí foi escrito, discordo da ideia principal. Com maior ou menor dificuldade, o FC Poro tem entrado e dominado quase todos os adversários na fase inicial da partida. As dificuldades começam a fazer-se sentir quando adversário altera a sua estratégia e ajusta a sua maneira de jogar. Paulo Fonseca não tem revelado ter uma boa intuição para prever estas alterações no adversário e, pior de tudo, não tem tido o engenho para as contrariar depois de postas em prática.

Além disso, e mais que uma questão táctica, neste momento o maior inimigo dos Dragões é a filosofia de jogo. Talvez por estarem habituados a uma filosofia de posse de bola, que automaticamente retirava uma boa parte das oportunidades do oponente criar perigo, os jogadores não se têm mostrado confortáveis com este estilo de jogo mais vertical. Seria bom que Paulo Fonseca recuasse na sua posição e tivesse o bom senso de voltar ao sistema táctico ou à filosofia de jogo do seu antecessor.

Parece-me cedo para jogar em 4-2-3-1 de forma tão vertical para quem jogou durante dois anos na segurança de um 4-3-3 com a esmagadora maioria da posse de bola. Quando duas partes não estão em sintonia, neste caso a equipa e os jogadores, e uma das partes quer impor as suas ideias, por vezes é preciso, numa fase inicial, chegar a um meio termo. Se é intenção de Paulo Fonseca insistir no 4-2-3-1, então que trabalhe a equipa para jogar em posse de bola e de forma mais calma. Se esse tipo de jogo não lhe agradar e quiser algo mais objectivo, que recue o Fernando e jogue num 4-3-3 com uma filosofia de futebol mais directo à baliza adversária. É isto que faz um grande líder, saber quando tem de dar o braço a torcer.

Claro que vai continuar a haver quem ache que está tudo bem mesmo com as evidências à sua frente, mas espero que Paulo Fonseca não esteja neste grupo. Escudar-se no chavão de que não há equipas invencíveis ou nos erros de arbitragem é fácil, mas a única forma de crescer é identificando e corrigindo os próprios erros. Espero que já estejam identificados e que comecem a ser corrigidos já amanhã frente ao Arouca.