Por duas vezes a jogar contra apenas 10 jogadores do Benfica durante cerca de 60 minutos em ambas as ocasiões, o FC Porto conseguiu fazer a proeza de ser eliminado das duas taças. Salvo algumas excepções, houve uma falta de atitude vergonhosa por parte de todos (não só dos jogadores) e que em nada dignificam os jogadores individualmente ou ao FC Porto como equipa.
Se já toda a gente percebeu que o Benfica quando visita o Dragão fá-lo sempre com a intenção de jogar em contra-ataque, porque motivo o FC Porto não se tem preparado para esse facto? Era óbvio que a jogar com 10 essa situação seria mesmo a única hipótese para os encarnados. Em ambos os jogos, com a eliminatória empatada e a jogar 60 minutos em vantagem numérica, cabia ao FC Porto assumir o jogo e arriscar. As coisas não caem do céu! E se à primeira (no jogo da Taça de Portugal na Luz) não houve uma abordagem diferente ao jogo por se tratar de uma situação inédita, hoje é inadmissível que ao intervalo não tenha entrado ninguém e a equipa já viesse preparada para uma forma diferente de jogar. Hoje não havia a possibilidade de prolongamento e a baliza do Benfica - que até podia já ter sofrido três ou quatro golos até à expulsão - passou uma hora tranquila sem qualquer tipo de ameaça e sem que o FC Porto arriscasse um milímetro que fosse!
O plantel tem qualidade para mais e devia ter rendido muito mais. O Paulo Fonseca foi uma verdadeiro desastre e justifica muita da merda que se passou este ano, mas não há nada que justifique esta falta de atitude e de ambição. Que alguém da administração tenha estado atento ao que se passou nos últimos 10 meses e que saiba limpar o que precisa de ser limpo. Quem não estiver no plantel com vontade de ganhar sempre e com a garra que sempre caracterizou o FC Porto pode fazer as malas e ir embora. Não estou com isto a apontar o dedo a ninguém, mas é claro como a água que algumas coisas têm de mudar. A atitude é a principal.
27 de abril de 2014
17 de abril de 2014
Descansa em paz, época 2013/2014
O FC Porto que se apresentou no Estádio da Luz foi um exemplo claro do que foi esta época. Uma equipa que não toma a iniciativa de jogo muito dificilmente consegue ganhar alguma coisa, por isso não me espanta nada que a Supertaça seja o único troféu a entrar no Dragão esta temporada. Felizmente que na altura em que esta foi disputada ainda a moral estava em alta e o adversário ainda não sabia que o FC Porto de Paulo Fonseca não metia medo a ninguém a não ser aos portistas, de outra forma era capaz de ser uma época à Sporting...
Não vou criticar o Luís Castro pelas derrotas - mesmo achando que neste jogo deveria ter tomado a iniciativa e mexido na equipa ao intervalo - porque recebeu uma equipa estourada fisica e psicologicamente pelo antecessor e numa altura em que não havia tempo para nada. Com jogos de três em três dias e entre castigos e lesões descobriu que havia no clube jogadores como Ricardo, Reyes, Quintero e Ghilas.
Paulo Fonseca foi/é incompetente e foi claramente um erro de casting. Mas o erro não foi a sua contratação, foi a sua manutenção à frente da equipa depois do pedido de demissão aquando da derrota em Coimbra. Os elementos da SAD, com Pinto da Costa à cabeça, passaram a imagem que não viam os mesmos jogos que os adeptos. Os erros de Paulo Fonseca eram demasiado evidentes, no dia que se demitiu, à primeira derrota no campeonato, provou ainda que era também frágil emocionalmente. Mantê-lo foi um sinal de teimosia que, por sinal, saiu muito cara.
Não sou dos que acha que o plantel precisa de uma revolução. Acredito no valor da grande maioria dos jogadores que o compõem e não vou crucificar já os que chegaram apenas este ano. Existem lacunas que podem ser resolvidas, mas também um treinador não pode esperar que os jogadores caiam do céu. A titulo de exemplo: desde o afastamento do Fucile que saltou à vista de todos que faltava uma alternativa para o Danilo e para o Alex Sandro, no entanto só após a mudança de treinador é que Ricardo teve oportunidade de mostrar que era uma opção válida para a defesa. O mesmo Ricardo que já tinha mostrado um ar da sua graça quando entrou para as alas no ataque, que por acaso até era outro sector com carência de qualidade. Por mim, há muito tempo que o lugar cativo do Varela lhe tinha sido entregue.
Esta derrota contra o Benfica teve o dom de adiantar uma semana o final da época e de atrasar também em uma semana o inicio da próxima. São assim mais quinze dias para limparem a merda toda que andaram a fazer no último ano. Pode ser finalmente se decidam em trazer um concorrente para o Alex Sandro e um extremo que consiga passar pelos adversários em velocidade. De resto, é contratar jogadores de qualidade inegável para colmatar as possíveis saídas jogadores como Mangala, Fernando ou Jackson. Se isto é uma revolução...
2013/2014 fica marcada pela perda da vantagem psicológica que os jogadores do FC Porto tinham sobre os do Benfica e é aqui que reside a maior derrota da época. Jorge Jesus esteve por um fio no final da última temporada e logo no arranque desta depois de estar a cinco pontos do primeiro lugar. A incompetência do Paulo Fonseca (e de quem lhe deu tanto tempo à frente do clube, é importante sublinhar isto) permitiu-lhe recuperar o estatuto de herói nacional. O primeiro desafio de quem for treinador do FC Porto na próxima temporada é recuperar essa vantagem psicológica como fez Villas-Boas e que foi mantida pelo Vítor Pereira.
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24 de março de 2014
Curto mas indiscutível
Ao dar uma vista de olhos nos variados blogs portistas (ou ditos portistas), percebe-se alguma preocupação depois do jogo de ontem frente ao Belenenses. Embora todos esperássemos uma exibição mais conseguida e uma vitória mais folgada, importa ter em atenção várias coisas. Embora Luís Castro diga que não se pode queixar do cansaço do jogo da passada quinta-feira em Nápoles, não quer dizer que esse desgaste não exista. Depois podemos ainda juntar a ausência de Danilo, Fernando, Maicon e Quaresma, quatro titulares indiscutíveis, na minha opinião. Qual é a equipa que não acusa a ausência de quatro habituais titulares? Mesmo assim, o FC Porto entrou dominante e, ainda antes do primeiro remate do Belenenses, já contava com um golo mal anulado e um remate ao poste. O golo não-anulável surgiu apenas na segunda parte quando o treinador portista já tinha arriscado tudo e de tal forma que acabou o jogo com Ricardo a defesa-central e Licá a lateral-direito...
Não sei como ainda os havia - e continua a haver... -, mas os defensores de Paulo Fonseca parecem ter ficado aziados com a passagem do FC Porto aos quartos-de-final da Liga Europa e agora com esta vitória frente ao Belenenses. Usam argumentos desonestos e chegam ao ponto de pedir penaltis em cortes limpos que aconteceram na grande-área portista. De facto, nem o mais cegos dos benfiquistas conseguiria fazer melhor. E com isto não quero insinuar nada... :-)
Estes dois últimos jogos foram muitos sofridos, mais do que o habitual, mas ambos têm em comum as várias ausências forçadas que limitaram muito as escolhas de Luís Castro que, mesmo assim, conseguiu melhorar a equipa a partir do banco e, com as mexidas certas e em tempo útil, resolveu o que estava difícil. Tendo em conta o que foi o FC Porto até à primeira semana de Março, é reconfortante assistir a um jogo e saber que no banco está um treinador que está a ver e a perceber o jogo, pronto a intervir e fazer com que a equipa tenha a iniciativa de agir em vez de reagir.
O próximo jogo é já na quarta-feira e é talvez o mais importante dos que ainda restam. O FC Porto terá de estar à altura para amedrontar um adversário que está moralizado e que se acha infinitamente superior. Maicon será a única dúvida para este jogo com o Benfica, por isso será de esperar uma equipa na máxima força ou muito próximo disso. Embora seja um adversário forte, este Benfica está mais fraco em relação ao ano passado e não é superior em nada ao Nápoles. No Dragão manda o FC Porto e espero que Luís Castro consiga passar essa ideia aos jogadores que, por si sós, já devem estar mais do que motivados.
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