20 de outubro de 2014

Direito de resposta


Por esta altura, todos os problemas da equipa portista estão já mais do que analisados e discutidos. Desde os pequenos detalhes até a evidências que não passam despercebidas a ninguém, até àqueles que pouco percebem de futebol. Para os jogadores e Lopetegui, a pressão aumentou, num caminho inverso ao da margem de erro e paciência, porque o descontentamento não se reduz apenas ao que se passou no último sábado. Está difícil o motor arrancar, por mais que se dê à chave, acontece sempre qualquer coisa.

O momento da derrota define muito o carácter e mentalidade duma equipa. Agora, é hora de responder, de mostrar se são meninos ansiosos ou homens com frieza. É o momento de perceber se existe convicção ou simples teimosia, se os erros ensinam ou apenas baralham mais as contas. O FC Porto tem de exercer o seu direito de resposta já amanhã, não apenas frente ao Bilbao, mas a partir desse jogo. Há imensa qualidade neste plantel, não há desculpas.

A equipa tem, de uma vez por todas, de estabilizar para evoluir e as vitórias são fundamentais nesse processo. Mesmo não jogando sempre bem - não exijo óperas, contento-me com triunfos sem grande margem para dúvida - tem de acumular vitórias e resultados. Há muito trabalho pela frente, mais do que seria suposto nesta altura, mas também é certo que as dificuldades não vão ser ultrapassadas todas de uma vez.

No meio de tanta teoria e debate,o futebol decide-se, muitas vezes, em detalhes. Pequenos, mas importantes. Um corte mal feito, uma desatenção, uma hesitação, um passo a mais num drible são suficientes para mudar todo um jogo, destruindo qualquer estratégia bem delineada e agravando preparações defeituosas. Nós temos percebido isso como ninguém, mas da forma mais dura. O nosso principal adversário, neste momento, chama-se Futebol Clube do Porto. Quando conseguirmos parar de dar tiros na cabeça - já não são nos pés - vamos ter muitas mais condições de derrubar quem nos apareça pela frente, em vez de os ajudarmos.

19 de outubro de 2014

Os erros que valeram uma derrota

Marco Silva diz que o Sporting foi muito superior ao FC Porto, eu discordo quase em absoluto. O FC Porto dominou em todos os campos estatísticos excepto no que mais importa, os golos. A verdade nua e crua é que os visitantes marcam por três vezes e nós só o fizemos por uma. No final das contas, pouco importa ter mais bola, mais ataques, mais remates, etc., se são oferecidos golos de bandeja ao adversário e desperdiçadas todas as oportunidades flagrantes de que se dispõe. O Porto de Lopetegui tem sido isto jogo após jogo.


Após duas semanas em que muitos jogadores estiveram ao serviço das respectivas selecções, o treinador do FC porto decidiu fazer uma gestão do plantel um pouco estranha. Jackson, Quintero e Danilo que fizeram milhares de quilómetros jogaram os 90 minutos (acabando até todos eles em dificuldades físicas), enquanto que jogadores como Evandro e Alex Sandro nem convocados foram. Tello que não esteve ao serviço da selecção e, por isso mesmo, também participou em todos os treinos de preparação para o jogo ficou no banco. Não consigo dizer ao certo quantas alterações foram feitas tendo em conta conta o onze-base porque nem isso consigo especificar. Isso diz muito sobre a estabilidade que Lopetegui tem dado à equipa. A única coisa que se pode dizer é que este está longe de ser a melhor equipa possível.

Do outro lado, tivemos um Sporting quase na máxima força. Montero jogou no lugar de Slimani, Mauricio voltou à titularidade para o lugar de Sarr e Capel rendeu Carrillo. A maior novidade foi a alteração na dinâmica ofensiva da equipa que essas mudanças trouxeram. No jogo em Alvalade para o campeonato, Nani começou o jogo como falso extremo esquerdo, uma vez que tem liberdade total para jogar por dentro, deixando o outro flanco a ser explorado por Carrillo que contava sempre com a ajuda de João Mário e Cédric para sobrecarregar o desamparado Alex Sandro. Foi assim que chegaram ao golo logo no primeiro minuto. Desta vez, Marco Silva inverteu as dinâmicas pelos flancos e coube a Danilo lidar praticamente sozinho durante os 90 minutos com Capel e Jonathan. O que fez Lopetegui para contrariar isto? Deixa Casemiro e Herrera a lutar contra William, Adrien, João Mário e, por muitas vezes, Nani. José Ángel raramente tinha um extremo para marcar e limitava-se a esperar pelas subidas de Cédric. Casemiro, rodeado de adversários por todo lado tanto a atacar como a defender, teve sempre imensas dificuldades quer a distribuir jogo quer a recuperar a bola, uma vez que só tinha a ajuda de Herrera. Enquanto isto, Óliver continuava como médio-esquerdo a fazer nem sei bem o quê.

Graças ao talento individual de jogadores como Quintero, Danilo e Jackson é que o FC Porto conseguiu criar perigo e até podia ter chegado ao golo vezes suficientes para ganhar. Mas quando o treinador prepara um jogo desta importância com tanta leviandade, onde além de vários jogadores trocou também o sistema de jogo, é com naturalidade que os erros apareçam e com eles a derrota. Ao intervalo tentou remediar as coisas com duas substituições (está a tornar-se hábito) e a equipa melhorou um pouco e dispôs de várias opções para empatar. Não o fez e sofreu o terceiro. Embora não tivesse sido superior, o Sporting foi mais eficaz e, acima de tudo, mais prático a defender. Os Leões fizeram mais dez faltas que os Dragões (16-26) e com isso foram parando as iniciativas atacantes do adversário. Do outro lado, até uma passadeira vermelha se estendia se fosse preciso.

A equipa de arbitragem também teve peso no desfecho da partida. Ao minuto 26 Paulo Oliveira pontapeia Herrera dentro da grande área do Sporting e Jorge Sousa nada assinala. Quatro minutos depois é a vez do árbitro auxiliar assinalar um fora de jogo inexistente a Adrián quando este ficou apenas com Rui Patrício pela frente. Já na segunda parte, ao minuto 72, Jonathan corta a bola como braço dentro da área leonina e uma vez mais o árbitro entende que não há motivo para a marcação de penálti. Foram três lances que poderiam ter mudado a história do jogo e todos eles foram decididos em prejuízo da equipa do FC Porto.




Assim se perde uma vez mais a oportunidade de vencer a Taça de Portugal. É imperial que Lopetegui arranje uma solução para acabar com os erros rapidamente, porque que eles têm de terminar já toda a gente percebeu. E não foi ontem.

32869 inúteis

Já é um debate antigo um pouco por toda a Internet e um tópico recorrente entre portistas. Assobiar ou não assobiar? Há opiniões para todos os gostos mas, no fim, a maior parte das pessoas admite ter a noção que o facto de se assobiar um jogador em particular ou toda a equipa em nada ajuda e que, quase sempre, até atrapalha. O que se assistiu ontem no Estádio do Dragão foi, uma vez mais, exemplo disso mesmo.

O FC Porto iniciou o jogo com todo o apoio do mundo, mas a situação inverteu-se quando a equipa se viu a perder por 1-2. Já na segunda parte, após Jackson ter permitido a Rui Patrício defender o penálti que devia ter dado o 2-2, os portistas presentes no estádio decidem que a melhor solução para apoiar a equipa que até entrou bem na segunda parte é recorrer ao assobio. Enquanto que os sportinguistas cantavam alegremente "Pinto da Costa vai p'ó caralho", os dragões (assim mesmo, com letra minúscula) ouviam em silêncio e só o interrompiam para assobiar a saída de bola da equipa ou um atraso para o guarda-redes. Prioridades.

Nota: A assistência oficial do jogo foi de 36869, aos quais subtraí os 4000 adeptos visitantes (que duvido seriamente que seja real) para chegar ao número presente no título. Além disso, estou consciente que nem todos os portistas presentes assobiaram a equipa. A esses, um bem-haja.