27 de outubro de 2014

«Lopetegui chora muito»

A afirmação é de Jorge Jesus que, à boa maneira portuguesa, guia-se pelo ditado que diz "olha para o que eu digo e não para o que eu faço". Vejamos:





Mas o "chorão" é Lopetegui, que tem visto o FC Porto ser prejudicado jogo sim, jogo sim e não consegue deixar de apontar o dedos às equipas de arbitragem. Acredito que para Jorge Jesus (e não só) seria mais agradável que ninguém falasse no assunto, mas o treinador portista não parece pensar da mesma forma. E ainda bem, diga-se. O que aconteceu em Guimarães, Alvalade e mesmo no passado sábado em Arouca - para não falar no que se passa em outros campos ou no que aconteceu no jogo da Taça - não pode ser esquecido. Muito menos enquanto a história do "limpinho, limpinho" continuar presente nas nossas memórias.

O FC Porto não pode continuar em silêncio e deixar Lopetegui a batalhar sozinho como aconteceu no passado com Jesualdo Ferreira. Os maiores rivais além de terem os meios de comunicação próprios e sempre com o Dragão na mira, têm ainda o apoio e benevolência constantes da restante comunicação social. Urge mudar a forma do clube comunicar com os adeptos e ao mesmo tempo aproveitar as diferentes plataformas de comunicação que tem seu dispor para passar mensagens a terceiros quando necessário. Longe vai o tempo em que se respondia apenas em campo.

26 de outubro de 2014

O menino Quintero


Assim que Quintero chegou ao FC Porto, percebeu-se logo que aquele pé esquerdo tinha uma relação com a bola bastante especial. No entanto, a preponderância do colombiano na equipa nem sempre foi consensual. Uns diziam que um jogador com o talento do Juan teria de jogar sempre, outros apontavam deficiências tácticas - principalmente no capítulo defensivo - para justificar as poucas chamadas ao onze titular.

De facto, em 2013/14, Quintero nunca alinhou de início duas vezes seguidas. Com Lopetegui, já vai em três. O médio até começou esta época de forma bastante discreta, mas a pouco e pouco foi conquistando o seu espaço e capitalizou participações positivas a partir do banco da melhor forma. Recorde-se: um golo frente ao Braga, uma assistência diante de Sporting e Bilbao, um golo ao Arouca.

Mas as diferenças não se resumem à influência directa nos resultados. O camisola 10 está um jogador mais maduro e constante ao longo da partida - em vez de jogar 20 minutos e começar a arrastar-se - e de jogo para jogo. Claro que ainda tem várias coisas a melhorar, como o jogo sem bola ou a intensidade, mas as melhorias são evidentes e há que dar o mérito a Julen Lopetegui na gestão desta pérola que Paulo Fonseca e Luís Castro não souberam lapidar. Que a evolução de Quintero prossiga, porque há poucos jogadores com olhos nos pés.

5 Euros o golo


Deste ponto de vista até nem está caro, mas não deixa de ser vergonhoso que as equipas ditas pequenas se aproveitem desta maneira. 25€ é um preço abusivo para um jogo de futebol entre duas equipas tão desniveladas e num estádio e relvado com tantas deficiências. De recordar que outros só pagaram 13€ para ver a equipa que apoiam jogar contra este mesmo Arouca no... Municipal de Aveiro. Mas tudo bem, é a crise...

Golos. É quase que só isso que interessa. São eles que criam e reinventam a história do jogo, quantos mais melhor. A eficácia não tem sido propriamente o nosso melhor atributo, mas ontem fomos certeiros e com um timing inicial que acabou por arrumar a discussão do encontro. Tranquilo, como já estávamos a precisar e bastante importante para estabilizar e motivar as tropas. Antes do jogo com o Bilbao, disse que a equipa tinha de exercer o seu direito de resposta e acumular vitórias, uma vez que só assim é possível evoluir da melhor forma. É continuar assim, passo a passo.

 Algumas notas:

- Apenas uma alteração no onze - justificada, quanto a mim. Terá Lopetegui encontrado uma fórmula para repetir muitas mais vezes?

- Trinco mais recuado no apoio aos centrais na saída da bola - algo comum no futebol mas raramente visto neste Porto - e mais jogo interior por força de um bloco médio mais coeso. Ainda há várias coisas a melhorar, mas é a jogo a jogo que se crescer.

- Bolas despachadas na nossa área e redondezas sem cerimónias.

- Quintero está cada vez mais crescido...e resistente. Quem o viu e quem o vê. 

 - Banco a render. Aboubakar - que tractor, que força...e nada tosco, pelo contrário! - entrou bem e fez golo, onde responde bem a um excelente passe de Quaresma, também ele suplente neste jogo. O camaronês a mostrar que pode ser aposta mais vezes.

- Folha limpa cinco jogos depois, muito graças a Fabiano que juntou defesas atentas e um pouco complicadas. Guarda-redes forte faz forte a sua defesa.

Com uma semana a separar este jogo do próximo, é tempo de recarregar baterias e trabalhar de forma a dar continuidade a estes dois bons resultados. O Nacional da Madeira é o adversário que se segue.