5 de novembro de 2014

Cada vez mais Porto


O FC Porto fez um jogo frio, tão frio que o San Mamés gelou. Os bascos não souberam chegar perto de Fabiano, excepção feita a um lance em que Guillermo ia marcando sem saber como. Do outro lado, estava uma equipa muito bem organizada e coesa, que abordou a partida de forma irrepreensível e até podia ter marcado mais golos, ou chegado à vantagem mais cedo.

Destaques:

- Centrais seguros: Maicon e Indi limparam tudo o que lhes foi aparecendo pela frente, com ou sem bola para o mato, mas sempre a afastar o perigo.

- Casemiro: Das melhores exibições do brasileiro desde que chegou ao Dragão, numa altura em que tem sido muito criticado e, não raras vezes, de forma injusta. Hoje, não deu hipótese para isso.

- Brahimi: Estou aqui a olhar para o cursor a piscar e nem sei o que escrever, os adjectivos começam a escassear para descrever tamanho talento e habilidade com a bola nos pés. Ele faz muitas vezes a jogada que originou o golo de Jackson, certo, e tirar-lhe a bola? Um, dois, três, vão caindo todos.

- Jackson: Retira-te da lista de marcadores de penaltys ou alguém que te retire. Dado o cachaço no pescoço vamos aos merecidos elogios: Top. Incansável, solidário no processo defensivo, com uma classe no controlo de bola ao nível de poucos. Se queremos em Jackson um simples ponta-de-lança que esteja lá para ler e encostar, ele corresponde, se queremos no colombiano um pivot ofensivo que jogue e faça jogar, o cafetero cumpre na mesma.

- Tello: Jogo fraco do espanhol, que não encontrou espaço para explorar a velocidade e decidiu mal quase sempre.

- Adeptos: Vénia aos milhares que se fizeram ouvir do primeiro ao último minuto. A equipa sentiu mais apoio hoje do que no jogo do Dragão.

Momento do Jogo:
73 minutos, 2-0 pelos pés de Brahimi


O jogo estava controlado, mas 1-0 é sempre perigoso. O golo que acabou com as dúvidas e foi um prémio merecido para o argelino. Oferta da defesa? Temos pena, não pode cair sempre para o mesmo lado!

Brahimi foi o melhor em campo, (na nossa opinião e na da UEFA também) pela assistência soberba e pelo golo, mas também por toda a classe que espalhou em campo.

Quarta jornada, dez pontos e oitavos de final carimbados num estádio onde muitos querem, mas poucos podem. Este Porto continua a crescer, mostra-se mais organizado, equilibrado e fiável. As vitórias (quarta consecutiva) cimentam uma evolução sustentável que ainda tem muito por onde se desenvolver.

4 de novembro de 2014

Pouco a perder, muito a ganhar


No último jogo (vitória por 2-0 frente ao Nacional), Lopetegui lançou Óliver no lugar que tem sido de Herrera enquanto que Quaresma apareceu no onze por troca com Tello. O treinador do FC Porto decidiu assim poupar dois jogadores que podem ser fundamentais naquela que poderá ser considerada como a deslocação mais difícil até ao momento. Enquanto isso, Quaresma foi premiado com a titularidade depois de ter estado em bom plano nas últimas vez que foi lançado durante os jogos e Óliver ganhou algum ritmo de jogo, uma vez que desde que foi substituído ao intervalo do jogo frente a Sporting jogou apenas oito minutos.

No jogo frente ao Bilbau no Estádio do Dragão, no inicio da segunda parte, o meio-campo do FC Porto perdeu o controlo do jogo e foi engolido por um adversário mais aguerrido do que se havia mostrado até então. Durante esse período os Bascos chegaram ao empate, mas Lopetegui resolveu o assunto lançando Rúben Neves para o lugar do já desgastado Quintero. Os Dragões rapidamente reassumiram o controlo do jogo e deram ao treinador as condições necessárias para apostar em Quaresma que acabaria por marcar o golo da vitória. Óliver entrou pouco depois para ajudar a segurar a vantagem.

Olhando a estes acontecimentos e ao facto do Bilbau precisar desesperadamente da vitória, será de esperar que Tello volte à titularidade para explorar os espaços deixados pelo adversário e que Herrera regresse à equipa para da músculo ao meio-campo, mas para o lugar de Quintero. O colombiano tem estado em bom plano, mas Óliver encara o jogo com outra agressividade que pode ser fundamental para contrariar um Bilbau que costuma ser um osso duro de roer em San Mamés. As condições do terreno na hora do jogo também podem fazer a balança cair para um lado ou para o outro.

Seja de que maneira for, é de realçar o facto de Lopetegui ter poupado dois jogadores importantes na equipa ao mesmo tempo que deu ritmo a outros dois que foram fundamentais contra este mesmo adversário, deixando assim um pouco de lado a ideia que roda a equipa só por rodar.

As contas do grupo


Partindo do principio que o Shakhtar vence o BATE Borisov na Ucrânia - na Rússia fê-lo e logo por 7-0 -, o FC Porto fica matematicamente apurado caso vença em Bilbau. Em caso de empate fica a faltar apenas um ponto para o apuramento e três pontos em caso de derrota, sendo que haverá ainda dois jogos para o conseguir: na Bielorrússia frente ao BATE Borisov e no Dragão frente ao Shakhtar.

Como transformar um elogio numa provocação



O treinador do Bilbau, Ernesto Valverde, afirmou que em Espanha apenas Barcelona e Real Madrid estão a um patamar superior ao FC Porto, acrescentando que os Dragões, caso disputassem La Liga, estariam ao nível de equipas como Sevilha, Atlético de Madrid e Valência. O que este jornalista do Diário de Notícias fez foi pegar numa frase proferida de forma elogiosa e tentar conotá-la como negativa. Tendência que foi seguida pela generalidade dos media com especial enfoque na imprensa lisboeta que destaca a frase "o FC Porto ficaria entre o terceiro e o sexto lugares". O que todos eles se esquecem, Valverde incluído, é que o actual campeão espanhol é o Atlético de Madrid, uma das equipas com quem o FC Porto lutaria por um lugar no pódio...

3 de novembro de 2014

O novo patinho feio


"Casemiro não é 6". Luís Freitas Lobo deu a sentença e os portistas vão atrás. Logo no primeiro jogo que comentou do FC Porto esta época colocou um rótulo no internacional brasileiro que está a ser difícil de arrancar. Jogue Casemiro bem ou mal, a avaliação que grande parte dos portistas faz à prestação do camisola 6 é sempre a mesma: jogou mal e faz faltas em excesso. Exemplos não faltam por essa Bluegosfera fora.

Tomando o jogo mais recente como exemplo, o do passado sábado frente ao Nacional, em que apesar de lhe ter sido (mal) exibido um cartão amarelo aos 19 minutos de jogo, Casemiro conseguiu ser dos jogadores que mais bolas recuperou durante todo o jogo e foi importantíssimo após o 2-0 com intercepções corajosas e que impediram o visitante de reduzir a desvantagem no marcador. Após isto, um pouco por todo lado, fiquei com a sensação que quase toda a gente achava que o brasileiro tinha estado mal, que não é o tipo de jogador que a equipa precisa e que não foi expulso porque teve sorte. Como já referi, é esta a avaliação que lhe é feita jogue bem ou jogue mal, como se de uma coisa predefinida se tratasse. Lopetegui lançou uma meio-campo mais ofensivo que o habitual talvez com o intuito de resolver o jogo mais cedo e puder gerir alguns esforços para o jogo frente ao Bilbao. O 1-0 chegou cedo, mas o 2-0 demorou a chegar e pelo meio Quintero teve de sair para entrar Herrera equilibrar defensivamente o meio-campo. Até aí coube praticamente ao Casemiro parar sozinho as investidas dos madeirenses. Mesmo sabendo que já tinha cartão amarelo que lhe havia sido exibido numa falta cavada pelo jogador do Nacional e enquanto tentava emendar um erro do Maicon.

Casemiro é um jogador duro? É. Pode corrigir isso? Claro que sim. E se não o fizer? Paciência, temos de nos adaptar à ideia de ter um Javi García na nossa equipa. Mas, sinceramente, não me parece que seja esse o caso. Simplesmente não podemos olhar para um jogador e procurar apenas os defeitos. Casemiro é bom no jogo aéreo, é seguro no passe, fiável na saída de bola e forte no desarme. Por vezes faz uso excessivo da força, mas nunca fiquei com a sensação de que o fez com o único objectivo de aleijar o adversário. Numa equipa "macia" como é a generalidade da equipa portista, um jogador como o Casemiro pode ser fundamental.

Nos últimos anos os portistas têm procurado de forma incessante a presença de um patinho feio no plantel. Espero que Casemiro não seja o próximo a ocupar esse lugar que até há bem pouco tempo era, ou ainda é, de Herrera.