22 de março de 2015

Momento único no Dragão Caixa


O FC Porto venceu na tarde de hoje, no Dragão Caixa, por 3-2, o rival Benfica, qualificando-se assim para a Final-Four da Liga Europeia de hóquei em patins. Depois do empate a três em Lisboa, o jogo da segunda mão chegou ao intervalo com 0-0 no marcador. Não havendo a regra dos golos marcados como visitante, qualquer equipa teria de marcar para poder passar e o Benfica até marcou primeiro, tendo conseguido também chegar ao 2-2 após o FC Porto ter estado a vencer por 2-1. Hélder Nunes, que já havia marcado os outros dois golos portistas, fez o 3-2 final. O FC Porto é agora a única equipa portuguesa em prova.

No entanto, o jogo fica marcado por dois acontecimentos que, para mim, merecem tanto destaque como a vitória. O primeiro passou-se quando a equipa do Benfica chegou à 10.ª falta, dando assim aos Dragões o direito de tentar converter um livre directo. Reinaldo Ventura pegou na bola e começou a encaminhar-se para o local da marcação. Hélder Nunes, abraçou o capitão do FC Porto e acompanhou-o durante todo o percurso enquanto conversavam e sorriam. Chegados ao local, Reinaldo entrega a bola ao 78 azul-e-branco, como que dizendo "marca tu", e afasta-se. O Hélder não falhou e estava feito o empate.

Poucos minutos depois, o árbitro marca penálti para o FC Porto. Reinaldo coloca a bola no local e, após alguns segundos, dirige-se ao banco e volta a entregar a responsabilidade de converter uma bola parada ao Hélder que até nem estava em jogo no momento. E assim se fez o 2-1. No terceiro lance de golo - ainda estou a tentar perceber esta moda dos jogadores do Benfica fazerem marcação ao adversário directo encostando-lhe o stick ao pescoço... -, o 78 já não precisou da bênção do "padrinho" e, avançando com confiança, marcou o 3-2 final com toda a classe e frieza do mundo.

Estando Reinaldo Ventura de saída e o FC Porto em remodelação profunda no hóquei, teremos assistido hoje a uma passagem de testemunho histórica?

Em defesa de Alex Sandro

Ontem, após o empate entre FC Porto e Nacional, fui, como é habitual, ler o que se dizia pela Bluegosfera em relação ao jogo. As críticas ao Alex Sandro foram uma constante em quase todos os textos que li. É óbvio que o brasileiro baixou um bocado de rendimento na segunda parte, mas durante a primeira foi dos melhores em campo e, à excepção da jogada que deu o 0-1, até foi dos pés dele que saíram as jogadas mais perigosas para a baliza da equipa da casa. A que se terá devido então a quebra de rendimento após o intervalo?

A primeira justificação e a mais óbvia é a quebra de rendimento de toda a equipa. O FC Porto regressou dos balneários incapaz de segurar a bola no ataque o de acertar um passe que fosse no meio-campo. Nestas circunstâncias muito dificilmente pode ser um lateral a fazer a diferença. Muito menos quando se trata do terceiro jogador da equipa em campo com mais minutos, só superado por Danilo que vem de uma "folga" e por Herrera que teve um jogo miserável também, muito provavelmente, devido à fadiga acumulada.

As opções de Lopetegui também não foram as melhores. O meio-campo estava sob pressão e era incapaz de parar eficazmente a equipa do Nacional. O que faz o treinador espanhol? Tira Casemiro, talvez com medo do segundo amarelo, para lançar Rúben Neves que, como sabemos, não faz da agressividade cartão de visita. 10 minutos depois chega o empate. Lance conduzido pela direita da defesa portista onde o jogador da casa, sem que eu consiga perceber como, tem liberdade para quase parar, levantar a cabeça e fazer uma assistência perfeita para o colega ao segundo poste. Como o jogador mais próximo do autor do golo era Alex Sandro é fácil apontar o dedo, mas a jogada não começou dentro da grande-área do FC Porto e os defesas que lá estavam dentro são os menores dos culpados.

Depois a entrada do Quintero matou de vez a capacidade da equipa em ganhar a bola. Um meio campo com Rúben Neves, Quintero e Herrera a passo é mau demais para quem já estava com dificuldades com Casemiro e Evandro, mas torna-se mais grave ainda quando Óliver está e não sai do banco. Daí até ao final do jogo foi uma fartote de jogadores do Nacional a correr metros atrás de metros com a posse de bola e com liberdade para a lançar à vontade para as costas da defesa. Além disso, convém também não esquecer que Brahimi teve uma noite para esquecer e nunca foi grande ajuda, tanto a defender como a atacar.

A paragem para os jogos das selecções chega em boa altura e beneficiará vários jogadores do plantel, sendo que Alex Sandro está entre eles. Tenho o brasileiro como um óptimo profissional, um excelente jogador de equipa e como titular indiscutível. Simplesmente não é de ferro e não tem o dom de fazer milagres.

Será que queremos ser campeões?

Não consigo entender a forma apática com que a equipa do FC Porto entrou em campo na Choupana. Não me cabe na cabeça que se jogue quase 90 minutos a passo sabendo que o Benfica tinha acabado de perder minutos antes e que, finalmente, havia a possibilidade de ficar a apenas um ponto do primeiro lugar. Não percebo onde estava a equipa que jogava com classe e ganhava os jogos já depois de o rival ter ganho nessa jornada e que, ainda que à condição, já estava a sete pontos de distância. Terá este FC Porto medo de ser campeão?

A jogada onde o jogador do Nacional, que penso se Lucas João, falha de baliza aberta o 2-1 é sintomática: contra-ataque da equipa da casa com três jogadores para dois do FC Porto e Herrera a acompanhar a jogada com os olhos. Foi assim um pouco durante os 90 minutos, tendo o mexicano passado completamente ao lado do jogo mas com a agravante de ter acumulado passes para ninguém como já não se via há muito. Mas isto não é de agora, Herrera está em quebra física e/ou psicológica há bastante tempo, Lopetegui tem de fazer qualquer coisa em relação ao assunto. Fica uma pequena nota: ao lado do Óliver qualquer um parece bom jogador. Estando o espanhol apto tem de jogar.

Quem também teve uma noite para esquecer foi Brahimi. Já não é a primeira vez esta época que isso acontece e já chegou mesmo a perder o lugar como titular. Quaresma, que na semana passada fez uma óptima exibição frente ao Arouca, entrou muito bem no jogo. Neste momento justifica muito mais um lugar na equipa do que o argelino. Casemiro estava em noite não e Lopetegui não hesitou em substituí-lo - até porque já tinha visto o cartão amarelo -, talvez devesse ter seguido o mesmo critério com o Herrera e, mais cedo, com o Brahimi.

Percebo que se tente passar uma mensagem positiva, afinal de contas estar a três pontos do primeiro lugar é bem melhor do que estar a quatro, mas a conversa do "já só dependemos de nós" mata-me. E por vários motivos. Em primeiro lugar porque esta época nunca o FC Porto dependeu apenas de si próprio, mesmo quando esteve na frente da classificação. As influências externas foram enormes e a situação que vive agora deve-se muito a isso. Depois, porque não se pode considerar normal ir ao Estádio da Luz com a intenção de ganhar por 0-3 ou 1-3 para ficar em vantagem no confronto directo. O 0-2, que também não é fácil, deixa tudo dependente dos golos marcados nas últimas jornadas. Vai-se andar a brincar às goleadas?

Este jogo tinha de ser ganho, desse por onde desse. Enquanto o FC Porto se prepara para um ciclo infernal, o Benfica vai entrar agora em pré-época para a final da Taça da Liga. Paragem para as selecções, Nacional (casa), Académica (casa) e Belenenses (fora). Esta era a última oportunidade de encurtar distâncias e de entrar verdadeiramente na luta pelo título. Lamento que os jogadores não tivesse percebido isso ou que tenham percebido e acusado a pressão.

Deixo também algumas palavras para o nojento Jorge Jesus. Tentando fazer toda a gente de parva, afirma que o Luisão é mal expulso porque ainda havia o Eliseu com hipótese de disputar o lance. Não querendo exagerar, o Eliseu estava pelo menos a 10 metros do lance e em linha com o defesa-central brasileiro. No jogo com o Arouca, o defesa Hugo Basto foi expulso com colegas bem mais próximos e sem que o Lima estivesse enquadrado com a baliza. E dizer que o jogador do Rio Ave que estava em fora-de-jogo posicional interfere no lance do 2-1 é anedótico. A única equipa que se pode queixar de qualquer coisa é mesmo o Rio Ave. Samaris nem sabe como não foi expulso e ficou ainda novo penálti por assinalar por mão na bola de Salvio ao minuto 78:


Mesmo a realização da Sporttv passou um bocado ao lado deste lance, uma vez que só se dignou a mostrar uma repetição rápida.

Não vou cair no erro em que muitos portistas estão a cair de dizer que esta equipa não merece ser campeã. Merece e em condições normais este teria sido apenas um mau dia que poucas consequências teria. Só que, infelizmente, o FC Porto não pode errar porque já lhe basta as penalizações que sofreu com os erros de terceiros. Agora não adianta ficar a pensar neste empate. Siga então para o 0-3 na Luz. Mas vai ser preciso dar bem mais do que neste jogo.