28 de março de 2015

No rumo certo

A Assembleia Geral Extraordinária do FC Porto realizada no passado dia 25 com vista à alteração de alguns pontos nos estatutos foi, na minha opinião, um passo seguro para o clube. Acho curioso que o ponto que mais polémica tenha gerado tenha sido o que diz respeito aos equipamentos. Deixou agora de ser obrigatório que as colunas azuis e brancas tenham de ter 8cm cada, o que na prática não altera nada, deixando apenas que as diversas equipas do FC Porto se equipem à vontade sem estarem ano após ano a violar os estatutos como acontecia até agora. No fundo tratou-se apenas de formalizar a liberdade na elaboração das camisolas que já se vivia há uma série de anos.

As grandes e importantes alterações estavam guardadas para o que à Direcção do clube diz respeito. De agora em diante, os mandatos passam a ser de quatro e não de três anos, os candidatos à presidência terão de ser sócios há 10 anos seguidos em vez de cinco, que é exactamente o número de anos necessários para poder pertencer a um órgão social quando até agora bastava apenas um. Para poder votar exige-se agora que o sócio já o seja há 12 meses, quando anteriormente bastavam apenas três.

Estas alterações têm dois propósitos: dar estabilidade ao futuro presidente e excluir pára-quedistas de última hora para a sucessão a Pinto da Costa. Até agora "qualquer um" podia aspirar aos órgãos sociais do FC Porto e para poder votar ainda era mais fácil, mas com as alterações mencionadas o filtro passou a ser mais fino. Como o pós-Pinto da Costa não se adivinha fácil para quem assumir a cadeira de presidente, fica apenas a certeza que o sucessor terá um ano extra para poder mostrar serviço.

Para último ficou outro ponto polémico: a possibilidade de grupos organizado terem uma quota mensal mais baixa em relação aos associados normais. Esta medida tem tudo para dar certo se forem cumpridos alguns requisitos. A começar já na próxima época o clube tem de exigir a quem queira pertencer aos grupos organizados (actualmente Colectivo e Super Dragões) tenha obrigatoriamente de ser sócio do FC Porto. Como toda a gente sabe, hoje em dia isso não é necessário e não é impedimento para que lhes sejam dados privilégios quer a nível de preços como ainda na prioridade no acesso aos bilhetes para as diversas modalidades. A importâncias dos grupos organizados é reconhecida por todos e é justo que o clube lhes atribua certos benefícios, mas nos moldes actuais é mais vantajoso ser sócio de uma das claques do que do próprio clube e é isso que tem de deixar de acontecer.

27 de março de 2015

Quando a realidade difere do que (supostamente) se viu

Sempre que o FC Porto perde ou empata existe imediatamente junto dos portistas uma necessidade extrema de apontar o dedo a alguém. No entanto, o que acontece durante essa procura incessante pelo culpado vai muitas das vezes ao encontro do que cada um quer ver e não do que na realidade aconteceu. O empate obtido na Choupana foi fruto de uma má exibição colectiva, motivada pelo cansaço físico e psicológico presentes em muitos dos jogadores - que estavam ainda sob uma elevada dose de ansiedade fruto da derrota do Benfica que acontecera minutos antes - e também devido a algumas más opções de Lopetegui.

Entre esses erros existem três que são difíceis de aceitar: a substituição prematura de Casemiro, a não utilização de Óliver e a opção por Quintero. Digo aceitar em vez de perceber porque, no fundo, até se percebe qual foi a intenção do treinador basco. Com o Nacional cada vez mais por cima no jogo, Lopetegui tentou com Rúben Neves e Quintero trazer qualidade de passe para tentar manter a posse de bola para o FC Porto, cortando dessa forma qualquer iniciativa de jogo à equipa da casa. Escusado será dizer que a aposta falhou redondamente. Agora é fácil para qualquer um dizer que mais valia ter lançado Indi e adiantar o Marcano para fazer de Casemiro ou que devia ter entrado Quaresma em vez de Quintero, derivando assim o Brahimi para a posição 10 de forma a poupar uma substituição.

Qualquer dessas opções era válida, tão válida como as que Lopetegui escolheu. Por isso aceito pacificamente que o treinador portista tenha pensado diferente de toda a gente, concedendo-lhe assim o direito a errar. A única coisa que me custa a aceitar é ver o Óliver no banco, mais ainda quando a equipa anda completamente à deriva. Basta relembrar que havia ainda a ausência de Jackson, um dos grandes responsáveis pela pressão alta que o FC Porto nos habituou e que divide com o médio espanhol o mérito pela forma inteligente com que os Dragões impedem os adversários de construir jogo à vontade.

Este cocktail de acontecimentos resultou na perda de dois pontos e no mau aproveitamento de uma oportunidade de aproximação ao primeiro lugar. Mas o que fizeram os portistas? Apontaram o dedo ao jogador que estava mais próximo do adversário que marcou o golo do empate, neste caso ao Alex Sandro. Daí até procurarem por outros lances que o brasileiro alegadamente tenha estado mal foi um pequeno passo.

Após leitura de vários espaços de opinião na Internet, estes são os três lances onde, regra geral, as pessoas se queixam da atitude do camisola 26:

Minuto 40 - Após uma sucessão de bolas devolvidas pelo ar de parte a parte, o jogador madeirense ganha a posição a Alex Sandro e inicia o ataque pelo lado esquerdo da defesa do FC Porto. Casemiro faz rapidamente a dobra e obriga a que a jogada continue pelo centro do terreno, enquanto o lateral portista recupera a posição. Enquanto Marcano dividia o lance com o atacante do Nacioanl, o resto da defesa, com Alex Sandro incluído, tentam definir uma linha de fora-de-jogo. O espanhol perde o lance e Herrera, porque pensou primeiro em atacar e não em defender, fica automaticamente fora do lance. Veredicto dos portistas: Alex Sandro começa a dar sinais de cansaço.

Minuto 63 - Com Herrera caído após choque com um adversário, Tello a tentar recuperar à última da hora e Danilo à espera ninguém sabe bem do quê, o jogador da casa tem tempo para levantar a cabeça e cruzar à vontade para a área do FC Porto sem qualquer hipótese para Helton interceptar o cruzamento. Maicon e Marcano falham o corte ao primeiro poste e Alex Sandro, apesar de bem posicionado e de ter acompanhado sempre o lance, não chega a tempo para impedir o remate ao segundo. Estava feito o empate. Veredicto dos portistas: Alex Sandro estava a dormir.

Minuto 71 - Canto para o FC Porto que, inexplicavelmente, é marcado de forma rápida e acaba em contra-ataque para o Nacional. No inicio da jogada podemos ver três atacantes madeirenses para três defensores portistas, mas rápido se percebe que o Herrera não está muito interessado em correr para defender. Alex Sando, que estava bem mais adiantado do que o mexicano, aparece a recuperar em velocidade para tentar equilibrar as contas, mas não consegue ser rápido o suficiente para impedir o remate. Veredicto dos portistas: Alex Sandro demonstra uma atitude displicente e quase consente novo golo ao adversário

Três lances em que muita coisa podia ter sido diferente logo desde o inicio de cada um deles mas que acabaram com as culpas a serem atiradas para cima do mesmo jogador em todos eles. Espanta-me que ainda haja tantos portistas a irem na cantiga dos opinion-makers e comentadores televisivos, sabendo de antemão que a grande maioria deles só quer ver o FC Porto a arder por dentro e que para o conseguir não têm problemas em atacar seja quem for. Desta vez calhou ao Alex Sandro.

24 de março de 2015

A hora da verdade

Imediatamente após a paragem para os jogos da selecções, o FC porto entrará num ritmo de jogos alucinante até ao dia da deslocação à Luz. O que se exige a Lopetegui e à equipa é que chegue ao dia do clássico em condições de, pelo menos, igualar o Benfica no número de pontos. Como existe a eliminatória da Liga dos Campeões pelo meio, o treinador do FC Porto terá de recorrer inevitavelmente à rotatividade de modo a que a falta de força dos jogadores, que foi evidente no empate com o Nacional, se volte a repetir.

O sinal dado pela equipa na segunda parte do jogo na Choupana foi claro: não é possível manter o ritmo que vinham implementando até ao final. Por isso, agora mais que nunca, é importante que Lopetegui defina prioridades e, já agora, que reflicta sobre a possibilidade de gerir os cartões amarelos a Danilo, Casemiro e Alex Sandro para que não haja o risco de falharem os jogos do campeonato de dificuldade mais elevada.

A aventura do mês de Abril começa logo no dia 2 com a visita à Madeira para defrontar o Marítimo. Sendo o jogo a contar para a Taça da Liga e tendo em conta a proximidade (dia 6) da recepção ao Estoril, impõe-se a utilização de uma equipa composta por jogadores de segunda linha. Jogadores como Ricardo, Indi, José Ángel, Rúben Neves, Evandro, Hernâni e Gonçalo Paciência - de qualidade inegável mas com menos oportunidades para a mostrar-, têm de ser titulares e, ao mesmo tempo, ter a capacidade de garantir a passagem à final, permitindo assim um FC Porto mais fresco na recepção ao Estoril.

Na semana seguinte existe a visita a Vila do Conde, actualmente marcada para domingo dia 12 mas que deverá ser antecipada no máximo para dia 11 - o jogo que o Rio Ave tem a meio da semana anterior dificilmente permitirá que joguem com o FC Porto no dia 10 -, e neste jogo, assim como nos dois com o Bayern de Munique, não pode haver grandes truques. É jogar na máxima força possível em todos eles e esperar que os jogadores aguentem a carga física e psicológica.

Entre os jogos da Champions existe a recepção à Académica, sendo este o jogo que poderá ser o mais importante. Aqui Lopetegui terá de ter coragem para apresentar uma equipa muito idêntica à idealizada para defrontar o Marítimo no jogo da Taça da Liga. Jogando em casa e no meio de tantos adversários de valor superior, jogar com uma equipa alternativa não pode ser encarado como um sinal de desrespeito pelo adversário mas sim como de necessidade absoluta. Além disso, seria a oportunidade ideal para Casemiro, Alex Sandro, Danilo e outro(s) que eventualmente entretanto ficasse(m) à bica "limparem" os cartões amarelos.

O objectivo é chegar com as capacidades ao máximo para o embate - ou duplo embate caso se confirme a passagem à final da Taça da Liga - com o Benfica que tem até lá apenas três jogos, precisamente metade dos que o FC Porto terá.