31 de março de 2015

O presidente da APAF está vivo!

José Fontelas Gomes, estimado presidente da tão nobre instituição APAF, encontra-se vivo, aparentemente bem de saúde e, ao que tudo indica, não tem problemas em ver o canal que este ano parece ser o da concorrência da entidade que preside, uma vez que foi dos primeiros a reagir à entrevista concedida por Lopetegui ao Porto Canal. E o que terá dito de tão grave o treinador do FC Porto de tão grave para ter motivado Fontelas Gomes a exigir à Comissão de Inquérito e ao Conselho de disciplina uma sanção pesada, de forma a evitar que estas situações se repitam? Para quem ainda não leu ou ouviu, aqui ficam as palavras de Lopetegui:

«Tento ser rigoroso com o meu trabalho e respeitador com os outros. Árbitro é uma profissão de risco. Respeito o trabalho deles. É difícil mas acredito na competência. E temos de exigir competência, é isso que preserva a justiça da competição. Os árbitros não vão ganhar ou perder campeonatos, e não o devem fazer, porque isso têm de fazer as equipas. Mas, naturalmente, vão acontecer erros, como os cometem treinadores e jogadores. Num campeonato, os erros devem equilibrar-se, por lógica. Só respondi a perguntas sobre erros que estavam tremendamente desproporcionados. Não de forma voluntária, mas estavam. E só respondi a perguntas que são factos, nada mais.

Há árbitros muito bons em Portugal, é óbvio. Proença é dos melhores da historia do futebol mundial. Repito: só respondi a perguntas dos jornalistas. Nunca disse que nos quiseram prejudicar. Se acreditasse nisso, ia-me embora amanhã.»

O presidente da APAF acha que enfiando a cabeça na areia, calando que tem sido prejudicado de forma sistematiza, se termina com este tipo de situações. Além disso, ainda se permitiu ao luxo de afirmar que "não vale a pena estar a atirar pedras e não se olhar para a própria casa primeiro", deixando assim o recadinho ao treinador do FC Porto. Se calhar se o próprio Fontelas Gomes seguisse o conselho que deu a Lopetegui, as criticas às arbitragens fossem em menor número. Como? Com punições pesadas, não para quem é vítima e se queixa, mas sim para quem erra. Fica a ideia.

José Fontelas Gomes veio defender a sua dama, como diria Jorge Jesus. Só não sei se a dama APAF ou a dama Benfica. Talvez ambas.

30 de março de 2015

A tentativa de ser diferente ou a vontade de ser parvo

Que sentimentos são provocados nos adeptos de um clube por um jogador que, chegando de um velho rival, em três épocas conquista três campeonatos, três supertaças, uma Taça de Portugal e uma Liga Europa, sendo depois vendido pelo valor de €25 milhões e que pelo meio até chegou a ser capitão de equipa? Eu diria orgulho e gratidão, mas a fazer fé no que diz o director do Maisfutebol, Nuno Madureira, estou completamente enganado. Segundo palavras do próprio publicadas hoje no site do jornal digital que dirige, João Moutinho é uma mal amado em Portugal, nomeadamente pelos adeptos dos três grandes. Na parte dos sportinguistas até se percebe, afinal de contas custa ver o melhor jogador sair para um rival; na dos benfiquistas é subjectiva mas também aceitável, facilmente se despreza um jogador que brilhou por dois rivais; mas dizer que os portistas não simpatizam com João Moutinho só porque este saiu do clube é completamente ridículo.

Nuno Madureira até pode perceber muito de futebol, mas certamente percebe pouco do que é Ser Porto. E basta passar os olhos pelo twitter pessoal para perceber o porquê. Todos os portistas sabem que Moutinho é um génio do futebol e que foi um jogador fundamental desde o dia 1 no Dragão. Até Miguel Sousa Tavares na forma muito particular como não percebe nada do futebol jogado chegou a essa conclusão. A custo, mas chegou. E se há coisa que o médio deixou nos portistas foi saudade. E não é pouca, até porque quase duas épocas depois ainda se fala no "substituto de Moutinho".

O director do Maisfutebol tentou ser diferente e, talvez levado pelo entusiasmo, achou por momentos ser o único adepto do futebol no mundo a considerar o antigo camisola 8 do FC Porto um jogador de classe mundial. Está completamente enganado. Todos os portistas tiveram oportunidade de perceber entre os Verões de 2010 e 2013 que, embora o futebol viva dos golo, é preciso alguém que tome sempre a opção correcta quando tem a bola nos pés e que João Moutinho fazia isso invariavelmente.

O algarvio foi um verdadeiro maestro de Dragão ao peito e garantia absoluta que mesmo num dia mau, na pior das hipóteses, jogava só bem. Não conheço nenhum portista que não gostasse de contar com ele no plantel, agora ou num futuro, e que tenha qualquer sentimento negativo em relação à forma como saiu, uma vez que foi um profissional exemplar do primeiro ao último dia e dos poucos que antes de o ser já era considerado por Pinto da Costa como "um jogador à Porto".

Como dezenas ou mesmo centenas de jogadores que saíram do FC Porto, Moutinho passou agora a ser admirado por quase todos, mesmo por aqueles que entre 2010/2011 e 2012/2013 o achavam apenas um jogador certinho e que pouco acrescentava ao jogo. Engraçado que alguém que chega a director de um órgão de comunicação com a dimensão do Maisfutebol só tenha percebido isso ontem porque o camisola 8 da selecção conseguiu ser um destaque pela positiva numa equipa portuguesa que jogou muito pouco. E isso diz muito da qualidade que o Maisfutebol (não) tem.

Um 11 a precisar de elevar a exigência competitiva

Ainda com a época longe de terminar, por vezes vai sobrando tempo para pensar um pouco no que a próxima trará com ela. Se no início do mês me debrucei sobre os jogadores que o FC Porto tem emprestados, hoje faço o mesmo exercício mas os mais jovens. Não é novidade para ninguém que existem no clube vários valores jovens e com possibilidade de terem uma carreira ao mais alto nível. No entanto, tal só será possível se lhes forem dadas as condições para evoluir. Assim sendo, será contraproducente que estejam sem jogar, eternamente na equipa B, ou ainda emprestados a clubes de pequena dimensão. Os responsáveis da SAD, em conjunto com os treinadores das equipas A e B, têm de planear bem a próxima época de forma a que não se caia no erro de manter na formação secundária jogadores que já têm qualidade suficiente para jogar na Primeira Liga e que ficariam a atrasar a própria evolução ao mesmo tempo que atrasariam também os jovens valores que terminam esta época a formação e que farão em 2015/2016 o primeiro ano como profissionais. Alguns dos casos:

Kadú - Contratado ao Belenenses em 2008, encontra-se agora tapado por um batalhão de guarda-redes que o FC Porto tem sob contrato. Apesar de ter apenas 20 anos, está a demorar a concretizar tudo o que prometia há uns anos e até na equipa B tem dificuldades em ser titular face à ascensão meteórica de Gudiño. Precisa de jogar com regularidade e é isso que o clube tem de procurar que aconteça, nem que para isso tenha de sair por empréstimo.

Víctor García - Embora aparentemente não seja (ainda) jogador do FC Porto não deixa de ser um jovem com enorme valor. A caminho dos 21 anos merece fazer a próxima pré-época na equipa principal para disputar um lugar no plantel. Caso Lopetegui considere que ainda não tem tudo o que é necessário para ser uma opção válida, um empréstimo a um clube da Primeira Liga não seria de descartar.

Reyes - Chegou com rótulo de craque e de grande promessa do futebol mexicano, mas em duas épocas ainda não conseguiu afirmar-se de dragão ao peito. Como o investimento foi grande, o FC Porto não se pode dar ao luxo de o ter como reserva mais uma época. Adivinha-se então uma mudança de clube para o defesa na próxima temporada. A única dúvida parece mesmo ser se será por empréstimo ou em definitivo.

Lichnovsky - Com 21 anos acabados de fazer, viveu o primeiro ano da aventura europeia como jogador da Segunda Liga. Em 2015/2016 o cenário tem de ser diferente, sendo que caberá a Lopetegui decidir entre a integração na equipa A ou o empréstimo.

Kayembe - Não sendo um lateral-esquerdo de origem, o treinador do FC Porto vê nele as características necessárias para a posição e até pediu a Luís Castro que o utilizasse na defesa na primeira metade do campeonato. Em Janeiro foi emprestado ao Arouca e com isso voltou a ser extremo. Se Lopetegui o vê como um futuro defesa, na próxima época o clube deve procurar-lhe colocação numa equipa que tenha intenções de o utilizar como tal.

Mikel - O nigeriano foi traído pelo destino quando nos primeiros treinos da pré-época fracturou uma perna, arruinando assim a temporada por completo. Após uma lesão destas é importante voltar a jogar com regularidade para recuperar o ritmo e a confiança. Assim sendo, a próxima época será de vital importância para Mikel e o FC Porto deve respeitar isso assegurando-se que o jogador terá tempo de jogo seja onde for.

Leandro Silva - Perto de completar 21 anos, o médio portista tem feito uma época de bom nível na equipa B. A qualidade de passe e a forma eficaz com que bate as bolas paradas fazem com que justifique uma oportunidade no escalão máximo do futebol português.

Pavlovski -  Já há quase dois anos a jogar na equipa B do FC Porto, o sérvio tem tido imensas dificuldades em assumir-se como titular, apesar de ter prometido bastante ao serviço da selecção vencedora do Europeu de Sub-19 em 2013. Se for continuar no clube tem de jogar com regularidade, nem que para isso seja necessário sair por empréstimo.

Frédéric - Talvez a maior revelação da época no que à equipa B diz respeito. Frédéric teve em 2013/2014 uma época bastante difícil em virtude de lesões complicadas mas apareceu renovado para 2014/2015, assumindo-se como um dos grandes destaques da Segunda Liga. Neste momento não faltarão na Primeira Liga interessados em contar com ele já a partir do próximo Verão.

Ivo Rodrigues - Completa hoje 20 anos e joga com uma responsabilidade e maturidade táctica de quem anda nisto há anos. Estamos perante uma das enormes promessas do FC Porto e desejo fortemente que seja tratado como tal. Tapado por vários elementos, adivinha-se novo empréstimo em 2015/2016, mas é apenas uma questão de tempo até que se afirme no Dragão.

Gonçalo Paciência - Toda a gente conhece e não há volta a dar: tem de fazer parte do próximo plantel. Provavelmente o próximo grande ponta-de-lança do FC Porto e da selecção. A Segunda Liga já é muito pequena para ele.