4 de abril de 2015

Imagine

Imagine uma equipa do FC Porto que pudesse contar com a garra e o portismo de jogadores experientes como Vítor Baía, Jorge Costa, Secretário, Rui Barros, Domingos, Capucho e Folha. Imagine que a esses jogadores se acrescentavam jovens oriundos das camadas jovens com vontade de se afirmar, como por exemplo aconteceu com Ricardo Carvalho, Ricardo Costa e Hélder Postiga, assim como jogadores portugueses que muito prometeram em outros clubes, tais como Ricardo Silva, Cândido Costa e Jorge Andrade. Para terminar, imagine que a todos estes se acrescentavam estrangeiros de valor inquestionável como Jardel, Drulovic, Aloísio, Alenitchev e Deco. Quanta mística não estaria presente naquele balneário, o portismo seria vivido por todos no dia-a-dia do clube, toda a gente entraria em campo com vontade de dar o máximo e a falta de atitude nunca seria um problema.

Não precisa de imaginar mais, porque estes jogadores representaram mesmo o FC Porto algures entre 1999/2000 e 2001/2002, tendo conseguido perder os três campeonatos para Sporting, Boavista e novamente Sporting. Pelo meio, ganharam duas Taças de Portugal e uma Supertaça.

Por isso, da próxima vez que o FC Porto não vencer, é desnecessário voltar à cassete da mística e da falta de amor à camisola, porque muitos daqueles que agora são a bandeira dos valores portistas estiveram presentes na maior seca do clube desde que Pinto da Costa assumiu a presidência.

Curiosamente, muitos deles estavam ainda no clube e foram pedras-chave nas conquistas europeias de 2003 e 2004, servindo de prova que por vezes só é preciso dar tempo ao tempo. E este FC Porto precisa de tempo, não precisa de conversas da treta em volta dele.

3 de abril de 2015

Aproveitando o mau momento

Após o apuramento para os quarto-de-final da Liga dos Campeões, altura em que FC Porto vivia uma série fantástica de bons resultados e bom futebol, tendo somado oito vitórias e um empate (1-1 em Basileia) nos nove jogos após a derrota frente ao Marítimo, teria sido demasiado fácil dizer isto: ainda que seja uma época sem qualquer conquista no Dragão, não ficarei revoltado com nenhum dos jogadores nem com Lopetegui. Mesmo à SAD, que fez um bom trabalho ao formar um plantel com muito talento, só lhe aponto a passividade com que (não) se manifestou contra os factores externos que impediram a equipa de estar agora melhor classificada.

Por isso prefiro dizê-lo agora, para não passar a ideia de que avalio as competências de quem representa o meu clube ao sabor do vento. Hoje seria bem mais fácil, como se pode ver por qualquer outro blog portista, apontar o dedo a tudo e todos.

Sejamos sinceros, o que aconteceu ontem na Madeira foi muito mau e vem no seguimento de outros dois jogos que deixaram muito a desejar - a vitória por 1-0 frente ao Arouca e o empate 1-1 contra o Nacional -, mas também só com muita qualidade, empenho e também bastante sorte foi possível chegar lá. Era suposto o FC Porto ficar pelo caminho mais cedo e a armadilha montada em Braga tinha essa finalidade.

A eliminação na Taça de Portugal também teve dedo externo, mas como nesse jogo Lopetegui decidiu recorrer à famosa rotatividade, a comunicação social aproveitou isso para justificar a vitória do Sporting. Ainda não percebi porquê, mas para avaliar os jogos do FC Porto impera a regra que diz que caso exista um erro de um ou mais jogadores e/ou do treinador, os erros da arbitragem passam para segundo plano por mais graves que sejam.

No campeonato é que não vale mesmo a pena enumerar erros porque está à vista de todos. Só com muitos pontos oferecido por terceiros é que o Benfica se pode dar ao luxo de ser líder mesmo jogando da forma que joga em muitos dos jogos. O FC Porto, como qualquer equipa formada praticamente do zero, vai tendo altos e baixos - e está a passar neste momento um desses baixos - mas em condições normais estaria neste momento a gerir a vantagem para o segundo classificado.

Dito isto, importa também deixar algumas ideias sobre o que foi 2014/2015 e o que tem de ser 2015/2016. Especialmente para Lopetegui.

A última equipa campeã do FC Porto é um perfeito contraste da actual. Se em 2012/2013 víamos um colectivo forte, em que toda a gente sabia o que fazer e quando o fazer, um equipa de acção em vez de reacção e onde faltava alguma espontaneidade no ataque, este ano temos uma equipa que parece viver em demasia das individualidades. Não é coincidência o facto de os melhores períodos desta época tenham coincidido com os picos de forma de Brahimi e mais tarde de Tello. Não é menos coincidência que a ausência de Jackson esteja a coincidir com um período em que os Dragões estão com muitas dificuldades para conseguir bons resultados.

Assim sendo, torna-se prioritário que Lopetegui assuma isto e que na próxima temporada comece cedo a trabalhar a equipa para que esteja menos dependente das individualidades. Até porque Danilo já se foi e Jackson deve ir pelo mesmo caminho. Se este ano houve uma tolerância maior pelo facto de Paulo Fonseca ter desfeito por completo o plantel e porque houve menos pré-época em virtude da participação na pré-eliminatória da Champions, a partir do próximo defeso a exigência em cima do treinador basco será maior.

Lopetegui mostrou nos primeiros meses algum desconhecimento da realidade portuguesa e isso atrasou a evolução da equipa. Os excessos cometidos nas trocas no onze titular foram o principal erro que entretanto parece já ter sido corrigido, apesar do próprio continuar a negá-lo. Falta agora solucionar o jogo colectivo sofrível e a forma deficiente como a equipa gere as bolas paradas ofensivas e defensivas. Trabalho que deve começar a ser feito imediatamente, para que 2015/2016 comece e termine da melhor forma possível.

Esta época deve ser encardo por todos os portistas como sendo o Ano Zero e que só não tem tido melhores resultados porque a equipa tem jogado em terreno minado. A grande maioria dos jogadores mostraram ter grande talento e serem excelentes profissionais, enquanto o treinador mostrou competência e capacidade de evolução, confirmando assim a confiança de Pinto da Costa e garantindo pelo menos mais uma época no comando do FC Porto. A única coisa que vai mudar mal termine a presente temporada será os níveis de exigência, acabe ela como acabar.

2 de abril de 2015

Não foi só a Taça da Liga que o FC Porto perdeu na Madeira

A derrota por 2-1 frente ao Marítimo não foi o único acontecimento negativo de hoje. Aliás, fazendo fé na mensagem que o clube faz questão de passar aos adeptos, esta competição é indiferente ao FC Porto, tornando esta eliminação tão grave como uma derrota num qualquer jogo amigável.

Assim sendo, há coisas que deviam ser justificadas e clarificadas por parte do treinador e dos responsáveis e azuis-e-brancos. Se a Taça da Liga não é prioritária, porque motivo alinharam tantos habituais titulares? Se era para passear, porque razão não jogaram os menos utilizados? Que justificação existe para ter rodado a equipa completamente em Braga e apenas parcialmente na Madeira? Será o Marítimo assim tão mais forte que o Sp.Braga? O que aconteceu ao FC Porto no pós-Basileia? A equipa só pensa agora na Liga dos Campeões?

Este jogo, assim como esta competição, devia ter servido para utilizar os mais jovens e os menos utilizados. "A Taça da Liga será na próxima época uma competição de enquadramento de formação e experimentação, associando a formação ao futebol profissional. Para o ano não será objectivo a nível de conquista", disse André Villas-Boas em 2011 antes de sair do clube. E é assim, de forma planeada e organizada, que o FC Porto deve agir. Andar a alterar os planos todas as épocas, ao sabor do vento ou da vontade de quem calhar, às vezes já com a temporada a meio, não tem sido definitivamente a melhor solução.

Prestes a iniciar um ciclo de exigência máxima, esta derrota, além de ter oferecido de mão beijada mais um troféu ao Benfica, serviu ainda para desmotivar o plantel e começar já o desgaste de jogadores importantes. Maicon, Marcano, Casemiro, Óliver e Aboubakar foram à Madeira "perder" 90 minutos. Não tão grave foi a utilização de Tello e Brahimi, que se ficaram pelos 33 e 24 minutos respectivamente.

Continuam os problemas nas bolas paradas defensivas e, uma vez mais, ficaram expostas a debilidades da marcação homem-a-homem. Lopetegui tem de repensar estas situações o quanto antes.

Para terminar, fica um aviso. Com a Taça da Liga marcada para dia 25 de Abril desde o início da competição, data que a LPFP sabia coincidir com a da 30.ª jornada do campeonato, o FC Porto ficou agora com o fim-de-semana livre após a eliminatória com o Bayern de Munique. Até agora ninguém ouviu falar da possibilidade de adiar a final e que, caso os Dragões tivessem eliminado o Marítimo, haveria um Benfica-FC Porto a 25 de Abril a contar para a Taça da Liga, seguido de novo Benfica-FC Porto para o campeonato no dia 29 do mesmo mês. Agora que o FC Porto tem a clara possibilidade de tirar proveito desta situação, uma vez que ganha vários dias de descanso antes do clássico que pode decidir o campeonato, não demorará muito até que se comece a falar no possível adiamento da final da Taça da Liga. Aguardem.