9 de abril de 2015

O casamento perfeito

A eliminação do FC Porto na Taça da Liga teve o condão de revelar duas coisas: a incompetência da LPFP e o romance vivido há vários anos entre Benfica e Marítimo. Qualquer um dos casos não será novidade para ninguém, mas não deixa de ser curioso que não se desperdice uma oportunidade para o comprovar.

Como é sabido por todos, a Taça da Liga tinha a final marcada para o fim-de-semana onde o FC Porto vai à Luz para defrontar o Benfica em jogo do campeonato. Como já disse aqui, os portistas acabariam por beneficiar com esse afastamento da prova, uma vez que ganhavam vários dias de descanso após o jogos da segunda mão da Liga dos Campeões. Claro que isso não podia ser e toca lá a adiar, de forma inédita, a final para depois de terminado o campeonato. Não sei que "caso fortuito ou de força maior" (é nestes moldes que no regulamento se fala na possibilidade de adiar um jogo na Taça da Liga) foi invocado pelos clubes para pedir a alteração da data, mas o que é certo é que foi prontamente aceite pela LPFP e, em menos de 24 horas após ser conhecido o segundo finalista, era anunciada a alteração do dia da final. Recordo que o dia 25 de Abril estava escolhido desde o inicio e, diga-se o que se disser, toda a gente sabia que nesse fim-se-semana havia o Benfica-FC Porto. Não é difícil de concluir que o motivo de força maior neste caso seria mesmo dar três dias de descanso ao FC Porto e tirar outros tantos ao Benfica.

A posição do Marítimo no meio disto tudo então é mesmo a mais ridícula de todas - porque os encarnados limitam-se a defender os respectivos interesses -, mas vinda de um clube cujo presidente já afirmou no passado que não tinha qualquer intenção de prejudicar o Benfica na luta pelo primeiro lugar nem surpreende. O que é certo é que os madeirenses perderam a oportunidade de defrontar um adversário com a cabeça no jogo do titulo, que teriam daí a uns dias, a troco de nada. De nada digo eu, mas o futuro tratará de comprovar que estou redondamente enganado.

8 de abril de 2015

Regressos importantes


Alguém que já tenha perdido mais do que cinco minutos a tentar assimilar tudo o que tem acontecido esta época certamente terá chegado à conclusão que o mais certo é que todos os acontecimentos estranhos tenham uma justificação paranormal. De que outra forma se pode explicar tantos infortúnios nas decisões da arbitragem que não com o alinhamento dos astros? Há alguma base científica que suporte uma qualquer teoria sobre a permanente ausência por lesão de um dos jogadores fundamentais? Alex Sandro foi o primeiro, depois Casemiro, Óliver já passou pela enfermaria por duas vezes, Danilo levou com o Fabiano em cima e acabou inconsciente no relvado, Jackson lesionou-se (!) sozinho, Maicon anda se entorse em entorse e agora foi Tello. E nem falo do Adrián López ou do Quintero. A verdade é que Lopetegui teve quase sempre alguém indisponível e a sorte nunca protegeu o FC Porto em momentos de desinspiração. Alguém se lembra de uma qualquer vitória portista sem saber ler nem escrever? E de um pontinho que fosse obtido com um erro da equipa de arbitragem? A concorrência certamente que não terá queixa de nenhuma das situações...

O que é certo é que, apesar de tudo isso, o FC Porto ainda está na luta e apareceu novo desafio: é preciso alguém substituir Tello. O espanhol lesionou-se na altura em que assumiu o estatuto de indiscutível e ainda não é sabido o tempo de paragem. Quintero e Adrián eram as hipóteses mais remotas ao lugar, Hernâni e Quaresma as mais prováveis. Frente ao Estoril a escolha de Lopetegui foi precisamente o camisola 7 e os resultados foram esclarecedores: dois golos, duas assistências e o prémio de MVP.

O Harry Potter passou com distinção no primeiro teste e agarrou o titularidade para a fase mais importante da época, provando o treinador, aos adeptos e, acima de tudo, a ele próprio que ainda é capaz de levantar o estádio com uma jogada de mestre ou com um cruzamento milimétrico. A dias de poder voltar a contar com Jackson, quem agradece é Lopetegui e o próprio FC Porto. Veremos se nesta recta final regressa também a pontinha de sorte que em 2014/2015 ainda não deu sinais de vida.

4 de abril de 2015

Imagine

Imagine uma equipa do FC Porto que pudesse contar com a garra e o portismo de jogadores experientes como Vítor Baía, Jorge Costa, Secretário, Rui Barros, Domingos, Capucho e Folha. Imagine que a esses jogadores se acrescentavam jovens oriundos das camadas jovens com vontade de se afirmar, como por exemplo aconteceu com Ricardo Carvalho, Ricardo Costa e Hélder Postiga, assim como jogadores portugueses que muito prometeram em outros clubes, tais como Ricardo Silva, Cândido Costa e Jorge Andrade. Para terminar, imagine que a todos estes se acrescentavam estrangeiros de valor inquestionável como Jardel, Drulovic, Aloísio, Alenitchev e Deco. Quanta mística não estaria presente naquele balneário, o portismo seria vivido por todos no dia-a-dia do clube, toda a gente entraria em campo com vontade de dar o máximo e a falta de atitude nunca seria um problema.

Não precisa de imaginar mais, porque estes jogadores representaram mesmo o FC Porto algures entre 1999/2000 e 2001/2002, tendo conseguido perder os três campeonatos para Sporting, Boavista e novamente Sporting. Pelo meio, ganharam duas Taças de Portugal e uma Supertaça.

Por isso, da próxima vez que o FC Porto não vencer, é desnecessário voltar à cassete da mística e da falta de amor à camisola, porque muitos daqueles que agora são a bandeira dos valores portistas estiveram presentes na maior seca do clube desde que Pinto da Costa assumiu a presidência.

Curiosamente, muitos deles estavam ainda no clube e foram pedras-chave nas conquistas europeias de 2003 e 2004, servindo de prova que por vezes só é preciso dar tempo ao tempo. E este FC Porto precisa de tempo, não precisa de conversas da treta em volta dele.