26 de abril de 2015

Táctica a mais para vontade a menos

E assim se perde um campeonato que devia ter sido ganho facilmente.

25 de abril de 2015

O hora da verdade

Toda a gente sabe o que o clássico desta jornada implica para o FC Porto e por isso não vou perder muito tempo a escrever sobre ele a não ser para dizer o normal - não espero nada mais do que uma equipa portista na máxima força e uma vitória para alcançar o Benfica em número de pontos e, se possível, com diferença de dois golos. O que me parece mais tema de conversa é esta necessidade que a generalidade da comunicação social - não toda, apenas a maioria - sentiu em associar este jogo à continuidade de Lopetegui como treinador do FC Porto. Parece que de um dia para o outro se passou a decidir a competência de um treinador em 90 minutos...

Antes de qualquer outra teoria elaborada por mim, parece-me óbvio que Lopetegui só não continuará se assim o entender. A razão disto é muito simples: o FC Porto não pode estar sistematicamente a começar o processo de adaptação e/ou aprendizagem do treinador e plantel se quer voltar a dominar o futebol em Portugal. É evidente para qualquer um que o basco não teve uma arranque muito feliz, com constantes invenções onde demonstrou uma clara falta de conhecimento da realidade portuguesa, mas a verdade é que sem campos inclinados a situação já estaria resolvida e o campeonato controlado. Desde que acabaram as experiências que o FC Porto tem feito uma campanha de bom nível e que em nada justificaria a saída de Lopetegui do comando da equipa a não ser, claro está, pela ideia parva pré-concebida de que treinador que não é campeão tem de sair.

A receita é simples e há muitos anos que vai resultado: a comunicação social lança o isco e logo se vê o que acontece. Lamentavelmente, alguns portistas continuam a morder o anzol e assim começa a desestabilização quando nada o justifica e, em semana de clássico, não há "melhor" do que isso. Acredito que não é difícil perceber que existam forças a querer o espanhol bem longe, até porque ele faz questão de meter o dedo nas feridas, mas ver portistas a desejar o mesmo só porque sim é ridículo. Lopetegui está para ficar e quanto mais rápido as pessoas aceitarem isso melhor será.

22 de abril de 2015

Eutanásia

Competência, Paixão, Ambição e Rigor. Segundo Pinto da Costa são estes os pilares que suportam o sucesso do FC Porto. Apenas estando os quatro bem fortes é possível contrariar quando outros factores fundamentais falham. Esses factores são a sorte e a experiência. O facto de o Bayern de Munique ter passado a eliminatória com um total de 7-4 quando no final do primeiro jogo perdia por 1-3 deve-se em grande parte a sortes distintas para as duas equipas e numa falta gritante de experiência no grupo portista, mas primeiro quero focar-me nos factores que o FC Porto pode controlar.

A ausência de Alex Sandro e de Danilo em simultâneo eram evitáveis e não há como contornar essa questão. Neste caso faltou rigor a Lopetegui que, como tive oportunidade de aqui alertar no passado 19 de Novembro, não geriu a questão disciplinar do plantel e, como tal, teve que se sujeitar ao factor sorte que, como já sabemos, não quis nada com o FC Porto neste caso. O que me deixa frustrado não é o facto da situação ter sido mal gerida, mas sim o facto de não ter sido gerida de todo. O assunto foi sendo varrido para debaixo do tapete e terminou com Reyes, que nem inscrito foi na fase de grupos tal é a confiança que o treinador deposita nele, a jogar como lateral direito no jogo mais difícil de toda a época. Talvez aqui tenha havido alguma falta de competência, porque com dois jogadores rotinados na linha como estão Maicon e Ricardo, não havia necessidade de inventar um lateral em quatro ou cinco treinos. As bolas paradas defensivas sempre foram um ponto fraco deste FC Porto e um golo em cada mão na sequência de um canto em muito ajudaram neste desfecho.

A ambição, bem presente durante a primeira mão, parece que não foi incluída na bagagem para a Alemanha. Uma entrada a medo e com pouca personalidade por parte dos Dragões permitiu ao Bayern de Munique dominar por completo e marcar golo atrás de golo. E aqui é que fazia falta muita paixão mas também muita calma e experiência. Após o 2-0 era fundamental que os jogadores do FC Porto percebessem que, de forma a poder continuar a lutar pela eliminatória, tinham de conseguir cortar o ritmo ao jogo para chegarem vivos ao intervalo. Não foi o que aconteceu e com 5-0 no marcador só um milagre tirava o Bayern das meias-finais. Olhando friamente a tudo o que não foi apresentado pelo treinador e pela equipa, quase se pode dizer que o FC Porto se entregou voluntariamente para morrer.

O factor Sorte

Mesmo dentro da sorte há várias variantes. Por exemplo, o golo de Müller que bate no defesa portista e trai Fabiano em contraste com o remate de Boateng para a própria baliza ainda na primeira mão que acabou com uma enorme defesa de Neuer. Mas não foi só por aqui que o FC Porto teve azar. Faltou um árbitro que tivesse tomates para expulsar o guarda-redes do campeão alemão ainda no primeiro minuto de jogo, ou que tivesse tomates para expulsar o lateral-esquerdo da mesma entidade logo no arranque do segundo tempo do jogo no Dragão, ou que mais tarde fizesse o que a lei manda e mostrasse o amarelo a Boateng que o impediria de jogar na segunda mão. Não é o caso de qualquer uma destas decisões não poder ser aceite de forma isolada, mas quando se comparam com os lances que tiraram Danilo e Alex Sandro do jogo na Alemanha percebe-se aqui um padrão. Padrão esse que foi mantido pelo árbitro inglês em Munique. Jackson vê cartão amarelo por alegada simulação quando sofre falta clara, mas Götze passou o jogo a mergulhar sem consequências e Badstuber foi o único jogador da casa a ver cartão amarelo e para isso teve de fazer uma falta para vermelho directo. Mas o melhor ainda estava para vir. Bastou o FC Porto marcar um golo, o 6-4 na eliminatória naquele momento, e logo depois ameaçar o 6-5 para que o árbitro assumisse o papel de defensor da equipa da casa para no espaço de 10 minutos perdoar nova expulsão a Badstuber, inventar duas faltas ofensivas ao ataque portista e à primeira oportunidade expulsar um jogador do FC Porto.

O FC Porto não morreu aqui, longe disso. Mas o meu maior lamento vai para o facto de a experiência acumulada nesta eliminatória por treinador e jogadores em pouco ou nada vá ser aproveitada pelo FC Porto. Isto porque na próxima época voltaremos a ter meia equipa nova e aqueles que muito cresceram nestes jogos estarão a jogar por aqueles que têm todos os anos €500 milhões para gastar e que quando confrontados com a perda de jogadores fundamentais têm um qualquer Carballo ou Atkinson a repor a ordem natural das coisas. E quando assim é nem toda a competência, toda a paixão, toda a ambição e todo o rigor do mundo são suficientes. Quanto mais sem nada disto.