17 de agosto de 2015

Um filme já visto

Há pelo menos duas coisas em que a Televisão portuguesa é rica: filmes repetidos e intervalos gigantes. Este fim-de-semana foi mais do mesmo.

Com o primeiro terço da obra cinematográfica que conta a história de uma qualquer jornada de um campeonato de futebol a ser exibido logo na noite de sexta-feira, foi-nos possível ver um jogo de futebol carregado de incertezas até ao último segundo e que acaba por ficar decidido num lance em que um jogador efectua um lançamento de linha lateral dentro de campo mesmo nas barbas do fiscal-de-linha e, por ironia do destino, essa irregularidade dá origem ao golo que oferece a vitória por 1-2 a um dos - embora auto-denominado - candidatos ao titulo de campeão. Depois disto, intervalo de quase 24 horas.

Na noite de sábado o filme continua mas pouco de relevante acontece. Outro dos candidatos, talvez o maior de todos, vence por 3-0 um jogo que dominou por completo. O adversário pouco conseguiu fazer tal foi a forma como foi dominado. Depois disso foi preciso esperar novamente perto de 24 horas para saber como seria o desfecho deste enredo.

Eis que chega a noite de domingo. Novo jogo e novos desenvolvimentos. A equipa da casa começa de forma tremida e logo à passagem do minuto 15 devia ter visto o árbitro assinalar-lhe uma grande penalidade contra, mas, como seria fácil de prever para quem seguiu a história com atenção, nada foi marcado e a partida continuou. Perto do intervalo de jogo mais do mesmo: um jogador dos anfitriões comete falta para penálti mas que escapou aos olhos de toda a equipa de arbitragem. A segunda parte da partida foi muito rápida. Novo castigo máximo por assinalar contra os visitados que, pouco depois chegam ao 1-0, seguindo-se o 2-0 através da conversão de uma grande penalidade mal assinalada contra os visitantes e num fôlego chegam os terceiro e quarto golos. Fim do jogo; goleada.

Para quem não se recorda, este filme foi repetido vezes sem conta nos últimos 12 meses. Por isso desengane-se que acha que a vergonha que foi o último campeonato faz parte do passado porque não faz. A época 2015/2016 começou tal e qual como a 2014/2015, onde foi possível ver o Benfica ser fortemente ajudado pela N.ª Sr.ª do Amparo. O aviso foi feito há um ano mas vale a pena repetir: não basta ao FC Porto ter a melhor equipa porque o Benfica com um bocadinho de ajuda transforma com facilidade uma exibição cinzenta numa vitória por números expressivos.

Que desta vez a estrutura portista não acorde tarde demais.

15 de agosto de 2015

Bom jogo, bons golos e... Herrera

Primeiro jogo, primeira vitória. O FC Porto recebeu o Vitória de Guimarães no jogo de estreia no campeonato 2015/2016 e não deu qualquer hipótese ao adversário de discutir o resultado. Foram três, mas podiam ter sido bem mais. Aboubakar foi o homem da noite - não só pelos dois golos que marcou, mas também pelo que jogou e fez jogar - e Varela voltou a marcar de dragão ao peito.

Apesar da entrada de várias unidades novas na equipa em relação à época passada (Casillas, Maxi, Danilo, Imbula e Varela), os jogadores do FC Porto mostraram já um elevado entendimento e provaram ser possível jogar como equipa desde o primeiro jogo oficial.

Quem teve (mais uma) noite para esquecer foi Herrera. O mexicano falhou em quase todos os aspectos de jogo e foi, sem surpresa, o primeiro a ser substituído. André André, que foi o escolhido para render o camisola 16, entrou muito bem na partida e, a continuar assim, promete lutar por um lugar no onze a curto prazo. Numa altura em que se fazem contas ao excesso de jogadores para o meio-campo no plantel e se vai noticiando a possibilidade de chegar mais um médio criativo, não deixa de ser irónico que aquele que mais debilidades apresenta continue como titular. Neste momento Lopetegui tem ao dispor um lote de médios de enorme qualidade, mas, lamentavelmente, Herrera não é um deles.

O arranque foi promissor e não há dúvidas que o FC Porto tem tudo para ser campeão. Cabe agora a Lopetegui convencer a SAD que para ganhar campeonatos não pode estar sempre a fazer a equipa a olhar para a carteira. A valorização de jogadores faz-se, entre muitos outros factores, através dos títulos conquistados e não de titularidades por decreto. E neste momento fica toda a sensação de ser o caso do Herrera.

3 de agosto de 2015

Osvaldo e Lucas Lima

Um é ponta-de-lança e o outro médio-criativo. Embora não sejam posições extremamente carenciadas, é notório que se for possível acrescentar alguma qualidade a estes sectores o FC Porto não vai dizer que não. Mas às vezes é preciso saber dizê-lo porque há situações que em nada favorecem o clube, sendo que qualquer uma das duas em que os jogadores se encontram, embora diferentes, são um aviso de problemas futuros.

Osvaldo é um jogador que teve problemas por todos os clubes que passou, sendo conhecidas algumas histórias de agressões a colegas de equipa. Sendo neste momento um jogador livre de assinar porque quiser, decidiu assinar por um clube-empresa uruguaio de segunda linha para poupar uns trocos em impostos quando assinar pelo clube que irá efectivamente representar em 2015/2016. Tendo em conta a bagagem que trás, até que ponto não seria prudente o FC Porto afastar-se do negócio?

Lucas Lima é um caso diferente: 80% do passe pertence à Doyen e talvez seja maior o interesse deste fundo em colocar o jogador no FC Porto do que a vontade dos dragões em contar com ele. Apesar de tudo foi feita uma proposta ao Santos e ao jogador, sendo que o este último não se coibiu de vir a publico classificar a proposta portista como muito má. Apesar disso, o FC Porto parece continuar interessado. O interesse no jogador é real ou é preciso pagar no imediato um favor à Doyen?

O que está em causa não é a qualidade dos jogadores, mas sim as atitudes gananciosas que ambos estão a revelar e os contornos absurdos que os negócios estão a assumir. O FC Porto tem de saber defender os interesses próprios e definir previamente uma linha até onde ir. Permitir todo o tipo de exigências a jogadores e clubes/fundos que detêm os passes é um péssimo caminho a seguir. Osvaldo e Lucas Lima são apenas dois jogadores em milhares com qualidade para jogar ao mais alto nível, por isso não há justificação para que o clube ceda aos caprichos de quem quer que seja.