25 de novembro de 2015

Citius, Altius, Fortius

Não sei porquê mas tenho a sensação que já escrevi isto aqui. E se tenho essa sensação é porque isto já anda na minha cabeça há muito tempo. Falo concretamente da dificuldade que o FC Porto sente quando os próprios jogadores não são claramente superiores aos adversários. Lopetegui é um treinador muito limitado tacticamente e só muito esporadicamente consegue tirar um coelho da cartola.

Pinto da Costa - que de uma assentada denegriu não só o trabalho de Vítor Pereira e André-Villas Boas, que em conjunto ganharam, entre outras coisas, três campeonatos e uma Liga Europa, mas também de todo o actual plantel - disse que com James, Hulk e Falcao qualquer um ganhava, mas por ter a equipa que tem agora é que precisa do Lopetegui. A minha pergunta é simples e directa: para quê?

Para continuar a insistir em ideias absurdas que nunca darão resultados? Para continuar a dizer nas conferências de imprensa que todo e qualquer adversário é de exigência máxima e depois rodar meia equipa? Ou para o FC Porto continuar dependente do que cada jogador consegue fazer individualmente e não como parte de uma equipa?

O nível de exigência no Dragão está a diminuir ano após ano. A continuar assim, não demora muito tempo até se andar a festejar uma Taça da Liga na Avenida dos Aliados. Mas antes disso acontecer proponho o seguinte: mudar o lema actual - Competência, Paixão, Ambição e Rigor - para Esforço, Dedicação, Devoção e Glória. Sempre se ajusta mais para uma equipa que não ganha nada há mais de dois anos e nem parece muito empenhada em alterar isso.

24 de novembro de 2015

Resultado normal

O treinador do Dínamo de Kiev disse na antevisão do jogo que o FC Porto era uma equipa com fragilidades defensivas visíveis a olho nu. E não se ficou pelas palavras, decidiu explorá-las e ganhou a partida e, muito provavelmente, a passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões.

Do outro lado, Lopetegui continua a ignorar todas as dificuldades que a equipa sente jogo após jogos. Desde a dificuldade em sair a jogar porque os jogadores estão todos excessivamente afastados uns dos outros; ou a dificuldade em circular a bola sem recorrer frequentemente a passes longos porque os jogadores estão todos excessivamente afastados uns dos outros; ou a dificuldade em recuperar rapidamente a bola após a perda da mesma porque a equipa não consegue pressionar eficazmente porque os jogadores jogam todos excessivamente afastados uns dos outros; sei lá... Já alguém reparou que os jogadores jogam todos excessivamente afastados uns dos outros?

O FC Porto não funciona como uma equipa e, graças a isso, hoje as individualidades não conseguiram salvar após erros individuais de Imbula e Casillas que deram origem aos dois golos ucranianos. Mas engane-se quem acha que sem estes erros os dragões teriam vencido! O Dínamo foi sempre mais equipa e soube sempre o que queria, enquanto do outro lado estava um conjunto de jogadores completamente à deriva. Salvou-se Danilo e pouco mais e ainda estou a tentar perceber como é que o Tello fez os 90 minutos e porque raio se investiu tanto dinheiro no Imbula.

Agora falta ir a Londres defrontar o Chelsea, mas, sem querer ser pessimista, acho melhor começar já a meter na cabeça que a Liga Europa é uma competição muito bonita e honrosa e com certeza que se lá formos parar será com muchas ganas e mucha illusión de a ganhar.

11 de novembro de 2015

A vantagem de não ter memória curta

Jorge Jesus, em tom de ameaça, diz que sabe coisas do ano passado. O que ele sabe do ano passado todos nós sabemos: o Benfica foi campeão porque foi ajudado pelas arbitragem jornada após jornada. No entanto, mesmo após o ex-árbitro Marco Ferreira - que, dizem as más-línguas, foi despromovido porque o jogo dos encarnados em Vila do Conde não correu como o presidente do Conselho de Arbitragem gostaria - ter denunciado pressões por parte de Vítor Pereira sobre os árbitros nas semanas em que estes iam apitar os jogos do Benfica, toda a gente continua a agir como se ninguém soubesse de nada e tentam a todo o custo guardar um segredo que nunca o foi. As caixas com a camisola do Eusébio que valiam jantares para um sem número de pessoas eram o mínimo que um clube poderia fazer perante um trabalho fundamental na renovação do título de campeão.

Um ano depois tudo está diferente. Não sei porquê - suponho que por medo que Jorge Jesus dê um tiro no próprio pé e afirme com todas as letras que o Benfica só foi campeão devido ao colinho monumental -, parece ser o Sporting a beneficiar do estatuto de equipa a empurrar para o topo da tabela. Em Tondela um lançamento dentro de campo dá origem a uma grande penalidade e o golo da vitória ao cair do pano; em Alvalade, contra o Estoril, o fiscal-de-linha faz vista grossa a um fora-de-jogo evidente que nem dois segundos depois se transformou num penálti e em nova vitória dos leões; no último domingo, em Arouca, Naldo comete uma falta do tamanho do mundo quase dentro da pequena-área do Sporting mas Cosme Machado nada assinala. Três jogos com vitórias pela margem mínima, três jogos com dedo da arbitragem.

É fundamental que o FC Porto esteja atento e que obrigue quem de direito a pedir a Jorge Jesus que diga o que sabe do ano passado para que os árbitros não o vão mantendo calado com estes docinhos. Já bastou perder no ano passado devido à passividade com que se encararam os benefícios sistemáticos ao Benfica, permitir o mesmo esta época seria impensável.

P.S.: Em relação ao lance do Naldo em Arouca...



...só não vê o jogador do Sporting a atirar-se para cima do avançado da equipa da casa quem não quer ou quem é cego. Recomendo que tanto o Cosme Machado como o Jorge Coroado, o José Leirós e o Pedro Henriques vão ao oftalmologista o mais rapidamente possível. Caso esteja tudo normal, serei obrigado a colocar a honestidade de todos eles em causa.