17 de fevereiro de 2016

Os moinhos de vento e os inimigos reais


Ainda o Benfica 1-2 FC Porto se jogava e a imagem acima já rolava pelas redes sociais e era alvo da fúria portista. Dizia-se, entre outras coisas mais ou menos desagradáveis, que os jornalistas da TVI24 não conseguiam disfarçar a costela benfiquista e que este era apenas um dos exemplos. Claro que ir confirmar se o responsável pelo rodapé do já mencionado canal fez algo semelhante nos golos do FC Porto foi coisa que quase ninguém se lembrou fazer.



E não é que fez mesmo? Apesar da pouca pontaria nos nomes - que em poucos segundos foram corrigidos -, a forma como o golo foi transmitido foi a mesma. E é nestas coisas mesquinhas que por vezes se perde energias que deviam ser canalizadas para combater os inimigos reais. Como é o caso do próximo exemplo.

No jogo da primeira volta, também ele apitado por Artur Soares Dias, os especialistas em arbitragem quiseram transformar um lance banal na expulsão de Maxi Pereira.


Toda a análise ao lance pode ser lida aqui no blog, sendo a ideia geral é que o árbitro fez bem ao não dar cartão amarelo ao uruguaio. Aliás, nem falta assinalou sequer, uma vez que o jogo foi reatado com lançamento a favor do Benfica. Mas agora fica o teste para os mais atentos.

Lembram-se desta jogada em que Gaitán acaba por ficar lesionado depois de atingir Maxi e levar com o antigo colega de equipa em cima? O lance é parecido com o da primeira volta, certo? Lembram-se de alguém levar cartão amarelo nesta jogada ou de haver alguém a pedi-lo? E os analistas, o que disseram? A estas duas últimas respondo eu: não, ninguém levou cartão amarelo e não, nenhum dos ex-árbitros incluiu este lance nas respectivas análises. Parece que para essas pessoas a integridade física dos jogadores de algumas equipas valem mais que a de outras. Nada que me espante.

13 de fevereiro de 2016

Crónica de uma vitória saborosa


O sentimento dos adeptos benfiquistas na semana anterior a clássico, muito por culpa da comunicação social, era de que o FC Porto seria goleado na Luz. Talvez iludidos pelo ditado que reza que "querer é poder", achavam que por terem um avançado capaz de fazer hattricks contra equipas de mortos-vivos e de guarda-redes de seriedade duvidosa também bastava querer vergar os dragões. Nada de mais errado.

O jogo começou a ser ganho por José Peseiro no momento em que escolheu o onze titular. Mostrei aqui a minha preocupação sobre o eventual recuo de Danilo para a defesa e foi com felicidade que verifiquei que isso não iria acontecer quando vi Chidozie na equipa. O jovem nigeriano esteve irrepreensível e em muito ajudou para uma vitória num dos terrenos mais difíceis de campeonato. Além disso, permitiu que Danilo continuasse na posição que mais rende e onde é o melhor a jogar em Portugal.

Com Brahimi nas costas de Aboubakar e André André na esquerda, o FC Porto estava com dificuldades em criar perigo, mas, após o 1-0, o treinador portista reajustou a equipa. André Almeida - antigo médio-defensivo dos fracos, promovido depois a lateral-esquerdo de segunda e actualmente lateral-direito de trazer por casa - raramente subia, o que tornava desnecessária a ajuda extra a Layún; no lado portista Brahimi tinha dificuldades em impedir a saída de bola do Benfica, o que levou José Peseiro a somar um mais um, ou seja, passar o argelino para a esquerda e o ex-Vitória para o centro. Com André André em cima de Sanches o Benfica deixou de conseguir construir com facilidade e com Brahimi em cima de Almeida foi o FC Porto a conseguir criar perigo como até aí só por uma ou outra vez tinha conseguido. Um tiro, dois melros.

Além do já mencionado, as alterações promovidas pelo técnico azul e branco tiveram duas consequências que estão directamente ligadas à derrota benfiquista: deixar Herrera completamente solto e tornar Samaris irrelevante. 1-1; Marega para o lugar do apagado Corona; 1-2; Rúben Neves para fechar o meio-campo; Varela para ajudar Layún a partir do momento em que André Almeida percebeu para que lado o Benfica atacava; fim do jogo. José Peseiro tem nota máxima uma semana depois a ter tido opções de carácter duvidoso na derrota frente ao Arouca. Rui Vitória nunca conseguiu reagir.

Além de José Peseiro e o habitual Danilo, nota máxima para mais três jogadores. Herrera conseguiu recuperar de uma fase em que em poucos minutos colocou três bolas nos atacantes adversários; Chidozie que não tremeu e jogou como se tivesse dezenas de jogos destes disputados; e Casillas por ter feito a diferença.

E foi assim que o FC Porto trouxe três pontos na bagagem que permitem voltar a ver a luz do título ao fundo do túnel. Já Chidozie foi obrigado a tirar Jonas do bolso e deixá-lo em Lisboa para não ser acusado de furto.

11 de fevereiro de 2016

Rúben Neves ou Chidozie?

A resposta parece simples mas não deveria ser. Face às lesões de Maicon e Marcano, José Peseiro vê-se agora com um enorme problemas entre mãos: decidir se recua o médio em melhor forma para o centro da defesa ou se lança como titular um jovem sem qualquer jogo na primeira liga e que ainda no ano passado era também ele médio. A tentação de colocar Danilo ao lado de Indi deverá levar a melhor sobre o técnico portista, mas Rúben Neves não aparenta ter a capacidade física do ex-Marítimo para disfarçar as deficiências da equipa na transição defensiva. Pede-se por isso que Herrera acorde definitivamente para a vida ou, pelo menos, para este jogo.

Tudo isto era evitável. Bastava a SAD não andar a brincar com a sorte ao ter despachado dois defesas-centrais em Janeiro sem ter contratado ninguém. Lichnovsky foi emprestado para Espanha e Maurício - que apesar de não ser nada de especial era pelo menos um jogador habituado à posição - foi para o Marítimo. Agora a bomba rebentou nas mãos de Peseiro e logo num jogo em que qualquer resultado que não seja a vitória significa um ponto final (se é que já não foi posto no último fim-de-semana) na luta pelo título de campeão.

Que ninguém se engane: isto não é azar, é incompetência e negligência.