26 de fevereiro de 2016

Para relembrar os mais distraídos

Este foi o segundo ano consecutivo em que o FC Porto foi jogar à Alemanha com uma defesa remendada. Se no ano passado em Munique foi absolutamente trágico, desta vez a equipa escapou "só" com um 2-0 devido à menor valia do Borussia Dortmund quando comparada com a do Bayern Munique. Em ambos os jogos houve jogadores castigados porque Lopetegui não geria os cartões, ia varrendo para debaixo do tapete até ser impossível ignorar o assunto. Leia-se, quando os jogadores já estavam impedidos de jogar. E foi com Maxi e Danilo castigados na Europa que Peseiro assumiu o comando da equipa. Se juntarmos isto ao escasso número de opções para a defesa e à saída do Maicon as contas são fáceis de fazer.

É muito fácil vir a público analisar números, dizer que com fulano eram marcados não sei quantos golos em média por jogo, que não sei quem era gajo para ganhar quatro segundas bolas por jogo e que a outra defesa só consentia um golo quando o rei fazia anos. Mas o futebol não é basquetebol. No futebol as equipas não têm os segundos contados para atacar, por exemplo. Assim sendo, mais importante que debitar números que se encontram num qualquer site de estatísticas, é perceber o cenário que levaram a esses números.

Dito isto, é relativamente fácil perceber que José Peseiro não teve a menor responsabilidade pela equipa que escolheu para jogar em Dortmund. Aquilo foi o resultado de vários anos de planteis a serem formados sem olhar às vagas especificas para jogadores nacionais (quatro deles formados no clube e outros quatro formados no país) e de um antecessor no comando técnico que não dava a menor importância aos castigos por acumulação de cartões amarelos. No fundo, foi-lhe dado a escolher entre uma saída em estrondo - como no ano passado frente ao Bayern - ou fazer uma abordagem cautelosa e proteger o grupo de uma nova humilhação.

Só para dar um exemplo do que digo em relação à SAD e às vagas para jogadores formados localmente pego na situação do Gudiño. Um jogador tem de jogar três anos num clube entre os 15 e os 21 para ser considerado pela UEFA como formado nessa equipa. O guarda-redes mexicano chegou ao FC Porto com 18 anos, ou seja, com três anos certos até fazer 21 e dessa forma ser considerado como atleta da formação portista. O que decidiram os responsáveis? Emprestá-lo ao União da Madeira e retirar-lhe definitivamente essa possibilidade. Pior: um jogador passa a ser elegível para a lista B quando tem menos de 21 anos e joga há dois anos consecutivos no mesmo clube. Gudiño perdeu também essa possibilidade com este empréstimo e agora o máximo que pode aspirar é a ser considerado como formado em Portugal. Isto se na próxima época não for emprestado para o estrangeiro.

São pequenos detalhes que não deviam ser esquecidos por uma estrutura considerada altamente profissional e que tem consequências a médio e longo prazo. Não se pode depositar as culpas todas sobre um treinador acabado de chegar e que ainda mal teve tempo entre os jogos para preparar a equipa.

Apesar de José Peseiro ser um treinador com a fama de ser mau a preparar a equipa defensivamente, convém relembrar que se não fossem situações como o golo anulado indevidamente a Brahimi contra o Arouca o FC Porto tinha muito provavelmente vencido esse jogo e estava neste momento dependente apenas de si próprio para ser campeão, com os mesmos pontos do Super Benfica e a três do Super Hiper Mega melhor Sporting das últimas décadas. Isto apesar de condicionado por um plantel com poucas opções defensivas, com várias lesões nesse mesmo sector, e, como tem sido repetido sistematicamente até à exaustão, com um treinador que só olha para o ataque.

Faltam 11 jornadas para acabar o campeonato. Com 33 pontos em disputa tudo é possível, principalmente quando existe ainda um Sporting-Benfica e um FC Porto-Sporting pelo meio. Veremos como se comporta o FC Porto a partir de agora com uma semana para se preparar para cada jogo.

25 de fevereiro de 2016

Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD eliminado da Liga Europa


3-0 a favor do Borussia Dortmund foi o resultado do conjunto das duas mãos, numa eliminatória praticamente decidida antes de se jogar o primeiro jogo. A culpa do 2-0 em território alemão tem de ser atribuída directamente à SAD portista, porque graças à deficiente formação do plantel o FC Porto foi forçado a jogar com um onze que foi talvez o mais fraco da história do clube numa competição europeia. Aqui era preciso algo que para muitos já se encontra na categoria dos milagres, mas o Borussia voltou a vencer. Novo golo à tabela, precedido de fora-de-jogo e que acaba com Casillas a meter a bola para dentro da própria baliza após ter feito uma enorme defesa.

Com Layún no centro da defesa e Danilo como médio - opção que apoiei -, José Peseiro escolheu uma equipa mais responsável tacticamente talvez na tentativa de segurar um primeiro ímpeto alemão, mas uma desatenção do árbitro auxiliar deitou por terra qualquer aspiração portista. Depois de uma arbitragem caseirinha na primeira mão, os alemães voltaram a contar com uma ajudinha neste jogo. Ao FC Porto faltou tudo, desde opções para fazer melhor e acabando numa pontinha de sorte nos dois jogos. Sorte essa, diga-se, nunca deixou de estar do lado do Borussia Dortmund.

Ao FC Porto resta agora vencer todos os jogos que faltam para o campeonato enquanto espera pela final da Taça de Portugal que já não deve fugir após o 0-3 em Barcelos. Até lá, José Peseiro terá finalmente tempo para consolidar uma equipa para poder trabalhar-lhe os defeitos e aprimorar-lhe as virtudes. Em jeito de desabafo, espero que Suk faça parte dessa equipa. Olhando à disponibilidade do coreano, chega a ser vergonhoso ver o que Aboubakar (não) faz como titular.

Que esta eliminatória tenha servido de lição aos responsáveis azuis-e-brancos. O que nela aconteceu chega a roçar o amadorismo. Na próxima época exige-se um plantel mais competitivo e mais rico em opções para que situações como estas não se voltem a repetir.

Quem joga ao lado de Marcano?

A convocatória para o segundo jogo frente ao Borussia Dortmund confirmou o pior: Indi não recuperou a tempo e não será opção. Assim sendo, José Peseiro tem o mesmo problema da primeira mão para resolver: quem escolher para formar dupla com o único defesa-central disponível. Situação que começa a ser normal, diga-se...

No jogo realizado na Alemanha nem sequer havia a hipótese Danilo, uma vez que o médio português estava castigado. No entanto, este cenário levanta a mesma questão colocada antes da visita ao Benfica: em que medida será benéfico abdicar da presença do ex-Marítimo no meio-campo?

No jogo mencionado, o treinador do FC Porto preferiu a inexperiência de Chidozie em detrimento da opção Danilo. Como jovem nigeriano é também carta fora do baralho, sobra Layún como alternativa. O internacional mexicano foi de resto quem alinhou na posição no jogo da primeira mão e acabou por fazer um jogo tranquilo e bem acima do espectável. Pedir a Peseiro para escolher entre abdicar da profundidade de Layún na ala esquerda ou da força de Danilo a meio-campo anda perto de perguntar a alguém se preferia perder um braço ou uma perna. E cada opção tem prós e contras, sendo que o substituto de quem for desviado para o centro da defesa uma delas.

Ao escolher entre o mexicano e o português para formar dupla com Marcano, o treinador dos dragões estará também a escolher entre Rúben Neves o José Ángel para assumir a titularidade. Pessoalmente, em condições normais, não hesitaria em escolher o jovem português. Mas as condições são tudo menos normais e a exibição competente do espanhol em território alemão abre-lhe uma janela de oportunidade.

Certamente que José Peseiro já terá tomado uma decisão. Se coubesse a mim escolher, seria Layún a alinhar ao lado de Marcano. Danilo é demasiado importante no centro do terreno, pelo menos numa fase inicial, e será sempre mais viável recuá-lo com o decorrer do jogo, se necessário, do que o contrário. Digo isto apesar de todos os sinais dados pela comunicação social apontarem para a dupla Danilo-Marcano. Mas certezas só mesmo por volta das 19h, cerca de uma hora antes do apito inicial. Até lá, qualquer cenário é possível.