13 de março de 2016

Benfica controla as arbitragens e a comunicação social

Que grande parte dos árbitros têm um fraquinho pelo Benfica não é novidade para ninguém. Que os media portugueses dão preferência aos clubes lisboetas, em especial ao que joga de vermelho, já toda a gente sabe. A única coisa a acrescentar nisto tudo é que quem o confirma é o actual treinador do Sporting e que nas seis épocas anteriores esteve no comando do rival Benfica.

Quem não se lembra de Jorge Jesus chorar junto do quarto árbitro por um empurrãozinho da equipa de arbitragem em beneficio do Sporting sob a ameaça "eu sei coisas do ano passado"? O que pouca gente se lembra - ou faz por não se lembrar - é um pouco mais complexo. Sporting - Estoril foi o jogo em questão e a equipa da casa venceu por 1-0 com um golo alcançado através da marcação de uma grande penalidade conseguida em fora-de-jogo mais do que evidente. E o árbitro da partida, de quem Jorge Jesus sabia coisas do ano passado, que era? A pergunta só não dá prémio porque a resposta é demasiado fácil. Isso mesmo, Jorge Ferreira que, entre outras coisas, tem no palmarés, recheado de benefícios sempre em prol dos mesmos, a expulsão de um jogador da equipa da casa no, até esse momento complicado para a equipa lisboeta, Moreirense - Benfica.

Episódios como este, com origem no passado e consequências na época actual, existem vários. E o facto de ninguém pegar neles é simples de explicar: o controlo que os grandes de Lisboa têm sobre a comunicação social. O histórico de favores é enorme e cada vez mais desenvergonhado, por isso não deveria ter espantado ninguém quando o actual treinador da equipa de Alvalade insinuou que sabe muito bem como se planta contrainformação porque o aprendeu no tempo que passou no vizinho da Luz.

Da época passada só uma coisa mudou: além do Benfica, também o Sporting tem andado à boleia de quem apita. Muito pelo facto de Jorge Jesus estar a par de várias coisas do passado e que, como o próprio tem vindo a provar pouco a pouco, não terá problemas em descredibilizar o trabalho que desenvolveu no Seixal só para demonstrar que Luís Filipe Vieira e companhia há muito tempo controlam os apitos em Portugal. Até agora, graças a uma rede de favores bem montada, a generalidade da comunicação social tem conseguido assobiar para o lado como fez quando o ex~´arbitro Marco Ferreira disse em público e com todas as letras que era pressionado pelo Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem, para facilitar a vida ao Benfica. Veremos o que acontecerá quando Jorge Jesus perceber que o primeiro lugar está fora do alcance do Sporting e seja ele próprio a afirmar o mesmo.

Entretanto estas forças vão trabalhando na sombra para manter o actual líder, que segue sem qualquer penálti marcado contra, e o FC Porto, única equipa do campeonato sem qualquer adversário expulso, atrás do Sporting. O problema é que os leões não parecem muito satisfeitos com a ideia de ficar em segundo lugar e toda a gente sabe o que acontece quando se zangam as comadres...

12 de março de 2016

Legalização das drogas leves pode trazer momentos hilariantes ao futebol

Jornal Sporting
Recentemente Duarte Gomes lançava a questão - porque não podem os árbitros ser adeptos de um clube? Como todos sabem, o próprio havia admitido num tempo não muito distante ser benfiquista colocando assim o ponto final na especulação criada pelas arbitragens em prol do clube do coração. A resposta é simples: é complicado ser juiz em causa própria.

Compreendo que é natural que qualquer pessoa já seja adepta de um clube muito antes de imaginar sequer a profissão que irá seguir um dia, mas, idealmente, também a classe jornalística também deveria ser isenta e, se possível, não ter qualquer preferência clubistica. Quando o mesmo não se verifica - o que parece ser tradição em Portugal -, o inesperado, e muitas vezes hilariante, acontece.

Se disparates como o que se encontra visível na imagem à direita são se esperar num jornal de um clube como é o caso, o que dizer da mesma mentira quando é reproduzida por um órgão alegadamente isento como é o jornal Record?

Record
Habituei-me com o tempo a deixar de dar importância a esta suposta liga da verdade que o jornal mais sensacionalista do grupo Cofina - seguido de muito perto pelo CM - gosta de fazer, mas tudo tem um limite.

Numa época como esta, em que Sporting e Benfica foram sendo alternada e sistematicamente empurrados para a frente, vir dizer que o FC Porto é, a par com o Paços de Ferreira, a equipa mais beneficiada da liga é das coisas mais absurdas que alguém poderia afirmar. Mais! Não fossem os recentes assaltos de que o FC Porto foi vítima, concretamente em casa com o Arouca e fora contra o Braga, estaria muito próximo do primeiro lugar ou até o ocuparia se o mergulho de Jonas tivesse sido punido como sendo isso mesmo, um mergulho.

Se este tipo de brincadeira tivesse uma origem inocente e não fosse não baixa e suja, até daria para rir, mas assim é só triste. Se esta gente é capaz de escrever estas alucinações quando supostamente estão lúcidas, imagino o que nos esperará caso algum dia as drogas leves venham a ser legalizadas. 

11 de março de 2016

Uma convocatória que confirma a necessidade de mudar

Em 18 dos convocados do FC Porto para a recepção ao União da Madeira, cinco começaram a época como jogadores da equipa B. João Graça, Francisco Ramos, Víctor García, Verdasca e Chidozie são chamados a uma luta que não estava destinada para eles. Sem querer tirar o mérito ou o valor a qualquer um deles, até porque o primeiro lugar na segunda liga não é obra do acaso, esta situação só é possível por dois motivos: mau planeamento do plantel e má preparação do mesmo.

É tudo menos normal que um plantel composto por 22 jogadores de campo aquando do fecho do mercado em Agosto chegue a esta altura a precisar de recorrer à formação secundária para mais do que preencher uma ou outra lacuna. Então cinco é quase surreal.

Como disse aqui, falta um director desportivo para planear a base do plantel a médio e longo prazo, assim como um staff para trabalhar na sombra, 365 dias por ano, na preparação física e psicológica de cada jogador para que cada um deles, jogue muito ou pouco tempo, muitas ou poucas vezes, esteja nas melhores condições possíveis para responder a cada chamada do treinador.

Se não é normal um plantel ter apenas três defesas-centrais, o que dizer caso o número desça para dois? E quem dá a cara pelo número anormal de lesões musculares que tem castigado grande parte do plantel? É urgente que o clube tome medidas para acabar com estas situações. Mais do que apurar responsabilidades, importa trabalhar para que situações como estas não se repitam.