9 de abril de 2016

Como lesar uma SAD em milhões de euros

Aviso legal: Este post é meramente académico, estando baseado apenas em teorias. Qualquer semelhança com negócios reais, sejam quais forem as entidades envolvidas, é pura coincidência.

Há dias falei aqui sobre a minha inocência no que à forma como os jogadores são contratados diz respeito. No entanto, após meditar, decidi fazer uma pesquisa sobre como seria possível alguém no mundo do futebol, mais concretamente administrador de uma SAD, prejudicar o clube em vários milhões de euros. Antes de iniciar a explicação volto a salientar que tudo isto são teorias e que não se pretende com isto afirmar que é o que se passa, por exemplo, sei lá... no FC Porto.

Imagine o leitor que um clube, via departamento de scouting, identifica um jogador que encaixa nas necessidades do plantel. O passo lógico seria contactar o representante do atleta ou clube onde este joga para dar inicio às negociações. Mas não, isso era demasiado óbvio, há que nomear um intermediário para servir de ponte entre as duas partes. E é aqui que acontece a primeira fuga de verbas num negócio que devia ser uma simples transferência entre clubes. Além do valor pago ao intermediário, o representante do atleta recebe também uma comissão que deveria ser a única deste negócio.

Mas isto está ainda a começar. Depois de o jogador chegar ao novo clube, os administradores decidem vender parte do passe por valores superiores ao da primeira transferência a um grupo de empresários ou a um fundo que na maior parte das vezes é controlado pelos próprios administradores da SAD ou por alguém sob as suas ordens, os chamados testa-de-ferro. A idoneidade neste tipo de operações começou a ser tal que a prática foi proibida pela FIFA, para se ter uma ideia. Mas, mesmo assim, há quem consiga contornar as limitações impostas pela organização que tutela o futebol e continuar a fazer esta ginástica negocial.

Mais tarde o clube, graças às cláusulas impostas pelos fundos, fica limitado a duas opções: vender o jogador e entregar ao fundo as respectiva percentagem, ou comprar de volta, sempre por valores superiores aos da venda, os direitos económicos do atleta. Neste tipo de operações a entidade que fica a perder é sempre a mesma: a SAD. Pelo meio, o(s) intermediário(s) e o(s) representante(s) do jogador vão recebendo sempre a respectiva percentagem pelos serviços prestados.

Engane-se quem pensa que é no momento da recuperação do passe que a SAD perde dinheiro pela última vez. Na hora de encontrar novo clube para o jogador é nomeado novo intermediário - quase sempre alguém que conhece alguém ligado à SAD ou a um fundo - que receberá também uma percentagem do valor da transferência. Se tudo correr dentro do esperado, o jogador manter-se-á num clube envolvido na mesma teia de fundos, representantes e empresários.

A forma de combater tudo isto é simples: os representantes do clube comprador têm de trabalhar com seriedade, virar as atenções para jogadores avaliados em valores aceitáveis para o clube em questão e eliminar os intermediários e as operações com dinheiro de terceiros. Claro que com isso muita gente ficará a perder, mas chegou a hora de voltar a credibilizar o futebol.

8 de abril de 2016

Estará o FC Porto de regresso?


Decidi, no final da vergonha histórica que foi o FC Porto perder com o Tondela, não escrever nada no blog porque fiquei com a certeza que não seria preciso mais uma pessoa a mandar tudo para o órgão genital masculino para que toda a gente percebesse que era preciso agir. E essa acção já vem tão tarde que até pode ser considerada uma reacção e arrisco-me a dizer que não era preciso chegar tão baixo para serem tomadas medidas, a altura certa para isso era aquando da saída de Paulo Fonseca. Mas, como se costuma dizer, mais vale tarde do que nunca e foi com alguma expectativa que aguardei pelas declarações de Pinto da Costa.

No meio de tudo o que foi dito só isto me interessa: o presidente prometeu uma equipa à Porto na próxima época, sendo que para isso haverá uma aposta forte na chamada prata da casa, o departamento de scouting voltará a ter uma palavra a dar na composição do grupo de trabalho e, o mais importante de tudo, acabaram-se os pedidos aos Imbulas desta vida para assinar pelo FC Porto. A partir de agora quem cá chegar vem com o objectivo de servir o clube e não de se servir dele.

Espero que isto signifique os fim das negociatas com fundos/empresários e que seja implementada uma estratégia de mercado diferente, em que o FC Porto assuma de forma independente a prospecção, contratação e desenvolvimento dos jogadores. Para que dessa forma o treinador possa trabalhar e escolher a equipa jogo após jogo sem pressões e que a SAD possa gerir o plantel sem influências de terceiros. Qualquer outro tipo de investimentos, só de forma muito excepcional e em jogadores que valham mesmo a pena.

Pinto da Costa anunciou um regresso em força para 2016/2017 e estou confiante que, com as medidas certas, isso será uma realidade. Quem 2015/2016 fique na memória de todos não só pela conquista da Taça de Portugal mas principalmente pelo regresso do FC Porto ao caminho do sucesso.

2 de abril de 2016

O lado errado da barricada


Ainda não há muito tempo jogava-se o Zenit-Benfica e o tema principal dos comentadores da Sporttv era o facto de a Gazprom patrocinar o adversário da equipa portuguesa ao mesmo tempo que era também um dos patrocinadores da UEFA. Isto porque, nesse jogo, os russos chegaram ao golo num lance precedido de falta sobre um defesa do Benfica. O que me leva a deixar a pergunta: a partir de que ano começaram os campos a inclinar sistematicamente a favor de quem veste de vermelho e tem como emblema um pássaro em cima de uma roda de bicicleta? Vamos fazer um breve resumo.

2008/2009 - Primeiro ano em que a Sagres dá nome ao campeonato; FC Porto campeão.
2009/2010 - No Verão de 2009 Benfica e Sagres assinam um contrato de 12 anos, nessa mesma época o campeonato acaba a ser disputado entre as águias e o Braga, também ele patrocinado pela marca de cerveja. Pelo meio fica a história do túnel da Luz, que teve o dom de suspender injustamente por vários meses Hulk, que era só o melhor jogador do campeonato.
2010/2011 - A maior prova de que o campeonato anterior tinha sido uma mentira. FC Porto sagra-se campeão sem derrotas e ainda junta a isso a Liga Europa, Taça de Portugal e Supertaça. Foi o Último ano da Liga Sagres.
2011/2012 - Começa a era Zon Sagres. Um campeonato decidido nos detalhes. O Benfica queixou-se imenso da arbitragem, embora segundo os analistas tenha acabado com mais pontos do que aqueles que merecida e o FC Porto tenha perdido apenas um jogo onde foi fortemente prejudicado pelo, imagine-se, Bruno Paixão.
2012/2013 - Limpinho, limpinho. Este campeonato ficou marcado pelos constantes benefícios da arbitragem ao Benfica, pelo escândalo que foi a arbitragem de Capela no Benfica-Sporting e por Jorge Jesus ajoelhado no relvado do Dragão. Foi assim o segundo ano da parceria Zon/Sagres.
2013/2014 - Aqui o FC Porto chegou a ter cinco pontos de vantagem sobre o segundo classificado. No entanto, a incompetência de Paulo Fonseca e um grupo de decisões de quem apita os jogos menos felizes para uns e extremamente felizes para outros cedo atiraram os azuis e brancos ao tapete. A Sagres volta a ver o Benfica campeão.
2014/2015 - A Sagres deixa de dar nome ao campeonato. que passa a denominar-se Liga NOS, que mais não é do que a fusão entre a Optimus e a Zon. FC Porto e Benfica discutem o campeonato até à última jornada, mas a balança acabou por cair para o lado da equipa que mais "sorte" teve durante o ano.
2015/2016 - O ano dos contratos milionários para os direitos televisivos. FC Porto assina com a PT, Benfica e Sporting assinam com a NOS. Neste momento os dois grandes de Lisboa seguem nos dois primeiros lugares do campeonato e vão discutindo entre eles qual dos dois tem sido mais ajudado. Assim vai a Liga NOS...

Certamente são meras coincidências, ou não fosse tudo gente séria... O FC Porto é que teima em ter os parceiros errados.