16 de abril de 2016

Visão 1620 - Finanças

Tem sido um problema recorrente e aparentemente sem fim no FC Porto. Chegar a meio da época e perceber que a SAD terá prejuízo no exercício em questão é já o pão nosso de cada época dos portistas. E quais são os motivos para isso? A resposta é simples: despesas despropositadas e planeamentos arrojados, para não dizer incompetentes.

Na última entrevista que deu ao Porto Canal, Pinto da Costa falou em comissões em entre 5 e 10% nos negócios feitos pelo FC Porto. Uma das maneiras de começar a poupar dinheiro é começar a exigir que seja respeitada a norma da FIFA que impõe nos 3% o valor máximo a pagar em comissões a empresários sobre as transferências entre clubes. Depois outra coisa que me faz imensa confusão: o FC Porto pagar comissões tanto quando compra como quando vende. A SAD tem de marcar uma posição junto dos empresários e deixar de dar, literalmente, dinheiro a um empresário quando compra um jogador, deixando esses encargos sempre para o clube vendedor.

Depois há a situação dos jogadores emprestados. Um clube com equipa B não necessita de ter um batalhão de atletas sob contrato espalhados pelo mundo. O número actual é manifestamente exagerado e tem de ser inevitavelmente reduzido ao máximo, tornando os empréstimos situações pontuais para jogadores que mostram valor inequívoco para aspirar a alguma mais do que a II Liga mas que ainda não têm maturidade suficiente para actuar pela equipa A. Certamente não será o caso de jogadores como Sami, Ghilas ou Bolat.

Isto são apenas exemplos de situações que fazem o clube perder imenso dinheiro, mas que a sua resolução por si só não seria garantia de nada, embora fosse um bom começo. O que a SAD tem de começar a fazer é reverter a situação gradualmente até chegar ao ponto de não ter de contar com o ovo no cu da galinha. Entrar num exercício a prever facturar €30M nas competições europeias, ou €70M em mais-valias com vendas de jogadores e até a entrada directa na próxima edição da Liga dos Campeões, é jogar constantemente na roleta russa e, como temos vindo a notar, todas as situações descritas são passíveis a falhar com relativa facilidade.

Impõe-se para bem do clube que a SAD comece a optimizar os meios que tem ao seu dispor, fazendo um planeamento cuidado e rigoroso de forma a não gastar dinheiro de forma leviana.

15 de abril de 2016

Visão 1620 - O plantel


Há muito tempo que o FC Porto não tem um plantel equilibrado e à prova de incompetência. Como assim à prova de incompetência? - perguntarão alguns. Aquele tipo de plantéis onde se não houver Sapunaru há Fucile, ou falhando o Álvaro Pereira há ainda Alex Sandro à espera de jogar, resumidamente um grupo de trabalho onde há, no mínimo, duas alternativas para cada posição sem ter de se recorrer a adaptações - respondo eu.

Pegando nesta época como exemplo, entre treinador e SAD - e aqui mais uma vez entra a lacuna que é não haver director desportivo - entendeu-se que meia dúzia de defesas chegariam e que eram necessários oito ou nove médios. O resultado disso é o que vivemos hoje e que teve como ponto alto o onze inicial apresentado em Dortmund. É isso que tem de acabar imediatamente. São onze a jogar de cada vez, no mínimo outros tantos têm de ficar de fora, uma para cada posição. É tão simples que até dói.

Depois há um regra fundamental que o clube tem de impor a si próprio: ter um plantel inscrito na Liga que cumpra as exigências da UEFA. É público que o organismo que tutela o futebol na Europa impõe que os clubes tenham oito jogadores formados no país - e destes oito, quatro têm de ser especificamente formados no clube - nos 25 que são permitidos. Não me lembro da última vez que o FC Porto foi capaz de o fazer, se é que alguma vez foi.

Compete à SAD garantir que os mais jovens passam três anos no clube antes de serem emprestados, sendo que existe a equipa B e, possivelmente, as taças para lhe ir dando competição. Gudiño perdeu a possibilidade de ser considerado como formado no clube com o empréstimo ao União da Madeira, que não se repita o mesmo erro com o Chidozie.

O plantel à Porto tem de ser trabalhado e planeado, não é uma coisa que se encontra por acaso. E não há nada como gente da formação e muita concorrência pelos lugares para, pelo menos, criar a ilusão que os jogadores correm por amor à camisola.

14 de abril de 2016

Visão 1620 - O director desportivo


Figura de destaque em muitos clubes, mais discreto noutros, ausente no FC Porto. Treinador(es) e SAD portistas discutem entre si a composição dos mais variados plantéis, sem que haja um mentor na figura de director desportivo, deixando o clube exposto a vários problemas, entre os quais estão a incapacidade financeira para satisfazer as necessidades do técnico e a possível incompetência desse mesmo técnico. E assim se chega ao momento actual do FC Porto. 

Administração e equipas técnicas têm passado por imensas dificuldades para formar plantéis equilibrados. Uns, como foi o caso de Paulo Fonseca, saem com o sentimento que não lhes foram dadas opções suficientes; outros, como por exemplo Lopetegui, saem e são acusados pelo presidente de ter tido tudo e não ter sabido fazer nada com isso. Pelo meio são pedidas missões impossíveis a homens como Luís Castro ou José Peseiro, que além de tentar unir os cacos deixados pelos antecessores têm ainda de dar inicio a um projecto tendo em vista a próxima época e sem sequer terem a certeza que farão parte dele. Chegou o momento de colocar nas mão de alguém que não a SAD ou o treinador a responsabilidade de projectar os grupos de trabalho a médio ou até mesmo longo prazo.

O conceito é simples: director desportivo e administração trabalham juntos no sentido de formar um núcleo de jogadores que serviria de espinha dorsal da equipa, algo entre os 17 e os 20 atletas. A esse grupo juntar-se-iam entre quatro a sete novos jogadores escolhidos entre o director desportivo e o treinador de forma a moldar o plantel às especificidades dos sistemas utilizados por cada técnico. O objectivo principal é deixar o FC Porto menos exposto tanto à incompetência como aos pedidos extravagantes de cada treinador. Quem não se recorda das exigências disparatadas de Co Adriaanse?

Foi notícia aquando da troca de Jesualdo Ferreira por André Villas-Boas que Pinto da Costa ofereceu ao primeiro a oportunidade de assumir a posição de director desportivo, possibilidade que foi recusada pelo próprio, mas, e ainda segundo o noticiado na altura, a porta ficou aberta por ambas as partes. Falo em Jesualdo Ferreira porque, na minha opinião, tem o perfil indicado para assumir a pasta: conhece o futebol, conhece o clube e tem facilidade em comunicar.

E aqui chegamos ao último ponto. Há muitos anos que o FC Porto deixa o treinador completamente sozinho contra o mundo. A chegada de um director desportivo à estrutura, além de servir o propósito principal de ser o cérebro por trás do grupo de trabalho, teria também a missão secundária mas não menos importante de defender, em conjunto com o técnico, os interesses do clube na praça pública, guardando assim a SAD (leia-se presidente) para alturas de extrema necessidade.

Projecto Visão 1620

Não há um dia que não se leia num sítio qualquer que quem crítica a SAD do FC Porto o faz gratuitamente e sem apresentar qualquer proposta. Até Pinto da Costa achou por bem dar a piadinha que os contestatários são meia dúzia e que se limitam a usar os blogs para o fazerem de forma anónima. No entanto, embora não seja da responsabilidade de um simples adepto fazê-lo - e, aparentemente, de ninguém uma vez que nem o actual presidente e de novo candidato o fez -, decidi apresentar um série de medidas, umas mais importantes que outras, algumas mais realistas que outras, mas na sua maioria de relativa simplicidade de execução, que gostaria de ver os administradores da sociedade implementarem no próximo mandato e que teriam como principal objectivo tirar o FC Porto do buraco onde se encontra. Cada ideia será apresentada nos próximos dias individualmente e acompanhada dos motivos pelos quais, na minha opinião, seria indispensável.

Depois do fiasco que foi o projecto Visão 611, nasce o Visão 1620.

12 de abril de 2016

A diferença que as riscas azuis fazem...


Sempre achei que Luís Freitas Lobo adora vestir a pele de cordeiro nas opiniões que dá, com especial incidência no que ao FC Porto diz respeito. As oportunidades de o demonstrar são várias, sendo que os comentários que foi fazendo na Sporttv sobre o Real Madrid - Wolfsburg não foram excepção.

Casemiro e a posição de trinco

Enquanto esteve emprestado ao FC Porto, Casemiro não era um 6. Isto segundo o comentador, claro. Uma época mais tarde, jogando na mesma posição no Real Madrid, o internacional brasileiro é quase elevado à categoria de deus pela mesma pessoa. O que mudou nesse período? Apenas a equipa onde jogava, uma vez que Casemiro mantém em Espanha as mesmas características que mostrou em Portugal.

Falta ou lance legal?

Se bem se recordam - é difícil não o fazer devido à campanha mediática anti-Porto em volta do lance - o FC Porto beneficiou de um penálti quando perdia por 0-2 no Dragão frente ao Moreirense, jogo esse que acabaria por vencer por 3-2. Na altura Freitas Lobo não hesitou em dizer que o defesa da equipa visitante jogou primeiro a bola e só depois tocou em Maxi e que, por isso mesmo, a falta é mal assinalada. Alguns meses depois, Modrić corre com a bola em direcção à baliza do Wolfsburg e Luíz Gustavo, por trás, derruba o croata fazendo um carrinho em tudo semelhante ao lance que deu a grande penalidade ao FC Porto frente à equipa de Moreira de Cónegos. A opinião do mesmo comentador é que é totalmente diferente, uma vez que neste segundo caso o próprio admite que tocar na bola pode não ser suficiente para tornar o lance legal.

A cor azul faz mesmo confusão a muita gente, em especial às pessoas que devido à posição que ocupam tinham, em teoria, a obrigação de serem isentos de forma a dar uma opinião válida. Luís Freitas Lobo, embora tente passar essa ideia, não tem na isenção um característica que o defina. E então quando se trata do FC Porto a máscara não para de lhe cair.

11 de abril de 2016

Já percebeu a diferença?


Já toda a gente sabe que o plantel do FC Porto tem lacunas. Já nem é notícia o facto de o campeonato estar definitivamente afastado da Invicta. Dito isto, impõe-se uma pergunta: porque raio continuam a não deixar o FC Porto ganhar?

O jogo dos dragões em Paços de Ferreira esteve longe de ser brilhante, mas foi mais do que suficiente para ganhar. Nada de extraordinário, mas aceitável por parte de uma equipa sem qualquer motivação e que, apenas para servir como comparação, fez um jogo tão ou mais conseguido do que o actual líder do campeonato havia feito no mesmo terreno. Então por que venceu o Benfica e perdeu o FC Porto?

A resposta é simples: para uns basta cair para ser penálti, para outros não os há de maneira alguma. Jorge Ferreira facilitou a vida aos de vermelho, Fábio Veríssimo aos de amarelo. E, para não ir muito atrás, num curto espaço de tempo o FC Porto foi afastado da vitória pelos árbitros em Braga, no Dragão contra o Tondela e agora na capital do móvel.

Até aceito que se argumente que contra o Tondela havia na mesma a obrigação de ganhar, mas isso não apaga os erros de Bruno Esteves. Já nos outros dois jogos, arrisco a dizer que Xistra e Veríssimo deixaram bem claro que só uma equipa podia chegar à vitória e que não era o FC Porto.

E assim se foi também o segundo lugar. Parece que a Meo terá se se contentar com último lugar do pódio da Liga NOS, o FC Porto com a ideia de ir ao playoff da Liga dos Campeões e à ginástica financeira, enquanto que Benfica e Sporting têm já garantidos os milhões da prova milionária e com eles a garantia que a época 2016/2017 começara já viciada por antecipação.

9 de abril de 2016

Como lesar uma SAD em milhões de euros

Aviso legal: Este post é meramente académico, estando baseado apenas em teorias. Qualquer semelhança com negócios reais, sejam quais forem as entidades envolvidas, é pura coincidência.

Há dias falei aqui sobre a minha inocência no que à forma como os jogadores são contratados diz respeito. No entanto, após meditar, decidi fazer uma pesquisa sobre como seria possível alguém no mundo do futebol, mais concretamente administrador de uma SAD, prejudicar o clube em vários milhões de euros. Antes de iniciar a explicação volto a salientar que tudo isto são teorias e que não se pretende com isto afirmar que é o que se passa, por exemplo, sei lá... no FC Porto.

Imagine o leitor que um clube, via departamento de scouting, identifica um jogador que encaixa nas necessidades do plantel. O passo lógico seria contactar o representante do atleta ou clube onde este joga para dar inicio às negociações. Mas não, isso era demasiado óbvio, há que nomear um intermediário para servir de ponte entre as duas partes. E é aqui que acontece a primeira fuga de verbas num negócio que devia ser uma simples transferência entre clubes. Além do valor pago ao intermediário, o representante do atleta recebe também uma comissão que deveria ser a única deste negócio.

Mas isto está ainda a começar. Depois de o jogador chegar ao novo clube, os administradores decidem vender parte do passe por valores superiores ao da primeira transferência a um grupo de empresários ou a um fundo que na maior parte das vezes é controlado pelos próprios administradores da SAD ou por alguém sob as suas ordens, os chamados testa-de-ferro. A idoneidade neste tipo de operações começou a ser tal que a prática foi proibida pela FIFA, para se ter uma ideia. Mas, mesmo assim, há quem consiga contornar as limitações impostas pela organização que tutela o futebol e continuar a fazer esta ginástica negocial.

Mais tarde o clube, graças às cláusulas impostas pelos fundos, fica limitado a duas opções: vender o jogador e entregar ao fundo as respectiva percentagem, ou comprar de volta, sempre por valores superiores aos da venda, os direitos económicos do atleta. Neste tipo de operações a entidade que fica a perder é sempre a mesma: a SAD. Pelo meio, o(s) intermediário(s) e o(s) representante(s) do jogador vão recebendo sempre a respectiva percentagem pelos serviços prestados.

Engane-se quem pensa que é no momento da recuperação do passe que a SAD perde dinheiro pela última vez. Na hora de encontrar novo clube para o jogador é nomeado novo intermediário - quase sempre alguém que conhece alguém ligado à SAD ou a um fundo - que receberá também uma percentagem do valor da transferência. Se tudo correr dentro do esperado, o jogador manter-se-á num clube envolvido na mesma teia de fundos, representantes e empresários.

A forma de combater tudo isto é simples: os representantes do clube comprador têm de trabalhar com seriedade, virar as atenções para jogadores avaliados em valores aceitáveis para o clube em questão e eliminar os intermediários e as operações com dinheiro de terceiros. Claro que com isso muita gente ficará a perder, mas chegou a hora de voltar a credibilizar o futebol.

8 de abril de 2016

Estará o FC Porto de regresso?


Decidi, no final da vergonha histórica que foi o FC Porto perder com o Tondela, não escrever nada no blog porque fiquei com a certeza que não seria preciso mais uma pessoa a mandar tudo para o órgão genital masculino para que toda a gente percebesse que era preciso agir. E essa acção já vem tão tarde que até pode ser considerada uma reacção e arrisco-me a dizer que não era preciso chegar tão baixo para serem tomadas medidas, a altura certa para isso era aquando da saída de Paulo Fonseca. Mas, como se costuma dizer, mais vale tarde do que nunca e foi com alguma expectativa que aguardei pelas declarações de Pinto da Costa.

No meio de tudo o que foi dito só isto me interessa: o presidente prometeu uma equipa à Porto na próxima época, sendo que para isso haverá uma aposta forte na chamada prata da casa, o departamento de scouting voltará a ter uma palavra a dar na composição do grupo de trabalho e, o mais importante de tudo, acabaram-se os pedidos aos Imbulas desta vida para assinar pelo FC Porto. A partir de agora quem cá chegar vem com o objectivo de servir o clube e não de se servir dele.

Espero que isto signifique os fim das negociatas com fundos/empresários e que seja implementada uma estratégia de mercado diferente, em que o FC Porto assuma de forma independente a prospecção, contratação e desenvolvimento dos jogadores. Para que dessa forma o treinador possa trabalhar e escolher a equipa jogo após jogo sem pressões e que a SAD possa gerir o plantel sem influências de terceiros. Qualquer outro tipo de investimentos, só de forma muito excepcional e em jogadores que valham mesmo a pena.

Pinto da Costa anunciou um regresso em força para 2016/2017 e estou confiante que, com as medidas certas, isso será uma realidade. Quem 2015/2016 fique na memória de todos não só pela conquista da Taça de Portugal mas principalmente pelo regresso do FC Porto ao caminho do sucesso.

2 de abril de 2016

O lado errado da barricada


Ainda não há muito tempo jogava-se o Zenit-Benfica e o tema principal dos comentadores da Sporttv era o facto de a Gazprom patrocinar o adversário da equipa portuguesa ao mesmo tempo que era também um dos patrocinadores da UEFA. Isto porque, nesse jogo, os russos chegaram ao golo num lance precedido de falta sobre um defesa do Benfica. O que me leva a deixar a pergunta: a partir de que ano começaram os campos a inclinar sistematicamente a favor de quem veste de vermelho e tem como emblema um pássaro em cima de uma roda de bicicleta? Vamos fazer um breve resumo.

2008/2009 - Primeiro ano em que a Sagres dá nome ao campeonato; FC Porto campeão.
2009/2010 - No Verão de 2009 Benfica e Sagres assinam um contrato de 12 anos, nessa mesma época o campeonato acaba a ser disputado entre as águias e o Braga, também ele patrocinado pela marca de cerveja. Pelo meio fica a história do túnel da Luz, que teve o dom de suspender injustamente por vários meses Hulk, que era só o melhor jogador do campeonato.
2010/2011 - A maior prova de que o campeonato anterior tinha sido uma mentira. FC Porto sagra-se campeão sem derrotas e ainda junta a isso a Liga Europa, Taça de Portugal e Supertaça. Foi o Último ano da Liga Sagres.
2011/2012 - Começa a era Zon Sagres. Um campeonato decidido nos detalhes. O Benfica queixou-se imenso da arbitragem, embora segundo os analistas tenha acabado com mais pontos do que aqueles que merecida e o FC Porto tenha perdido apenas um jogo onde foi fortemente prejudicado pelo, imagine-se, Bruno Paixão.
2012/2013 - Limpinho, limpinho. Este campeonato ficou marcado pelos constantes benefícios da arbitragem ao Benfica, pelo escândalo que foi a arbitragem de Capela no Benfica-Sporting e por Jorge Jesus ajoelhado no relvado do Dragão. Foi assim o segundo ano da parceria Zon/Sagres.
2013/2014 - Aqui o FC Porto chegou a ter cinco pontos de vantagem sobre o segundo classificado. No entanto, a incompetência de Paulo Fonseca e um grupo de decisões de quem apita os jogos menos felizes para uns e extremamente felizes para outros cedo atiraram os azuis e brancos ao tapete. A Sagres volta a ver o Benfica campeão.
2014/2015 - A Sagres deixa de dar nome ao campeonato. que passa a denominar-se Liga NOS, que mais não é do que a fusão entre a Optimus e a Zon. FC Porto e Benfica discutem o campeonato até à última jornada, mas a balança acabou por cair para o lado da equipa que mais "sorte" teve durante o ano.
2015/2016 - O ano dos contratos milionários para os direitos televisivos. FC Porto assina com a PT, Benfica e Sporting assinam com a NOS. Neste momento os dois grandes de Lisboa seguem nos dois primeiros lugares do campeonato e vão discutindo entre eles qual dos dois tem sido mais ajudado. Assim vai a Liga NOS...

Certamente são meras coincidências, ou não fosse tudo gente séria... O FC Porto é que teima em ter os parceiros errados.

Benfica em poucas palavras

Um treinador adversário que decide trocar de guarda-redes só porque sim, uma bola ao poste da baliza que defende nos primeiros segundos, um golo oferecido pelo adversário sem que nada o fizesse adivinhar, um penálti bem forçado a favor, um contra perdoado a começar a segunda parte, nova bola ao poste, goleada. Foi assim o Benfica-Braga mas podia ser o resumo de muitos outros jogos deste campeonato. No final até deu para marcar a primeira grande penalidade contra o Benfica, algo que não se via há mais de um ano. Claro que tinha de ser num jogo já resolvido e onde não sobrava tempo para nada. Vamos ver quando o actual líder do campeonato terá um jogador expulso. Eu apostaria numa jornada em que o campeonato já esteja decidido.

31 de março de 2016

Máquina de Rube Goldberg

Sou uma pessoa simples. E como pessoa simples, imagino sempre as coisas com uma certa simplicidade. Por exemplo, a contratação de jogadores por parte de um clube, achava eu, seria algo muito linear: o departamento de scouting identificava um atleta com talento e observava-o o suficiente até elaborar um relatório a recomendar a contratação, relatório esse que seria analisado mais tarde pelo treinador e pela direcção do clube e, havendo interesse de ambas as partes, alguém com poder para isso contactava o empresário do jogador em questão para que este iniciasse as negociações entre os dois emblemas tendo em vista a transferência. Afinal não é nada disto.

Não sei como funciona nos outros clubes - e sinceramente não me importa -, mas no FC Porto, pelo menos olhando às cada vez mais notícias de negociatas entre SAD e empresários e/ou fundos de investimento, a coisa é muito mais elaborada. Primeiro aparece uma empresa qualquer que recomenda um jogador ao clube que, por sua parte, paga prontamente alguns milhares de euros por essa acção. Depois o clube vende uma percentagem do passe a um fundo que entretanto regista o atleta num clube "fantasma". Aí o FC Porto compra o jogador a esse novo clube e com isso gasta um valor infinitamente superior ao que gastaria caso tivesse ido directamente à fonte, mas depois de garantida a transferência há que vender nova percentagem do passe a um grupo de empresários que pode ou não ser o mesmo. Em ambas estas operações são pagos custos de intermediação a uma ou várias empresas sem que se saiba bem qual foi o papel delas no negócio ou quem são ao certo. E quem fica com esses encargos? O FC Porto. Mais tarde, com o jogador já no clube, vão sendo recuperadas pouco a pouco parcelas do passe anteriormente vendido. Parece-lhe complicado? A mim também.

No meio disto tudo, qual é o papel do scouting do clube? Fica difícil de perceber. Quase tão difícil como perceber como foi possível alguém ir cedendo pouco a pouco até chegar a este ponto. Certo é que actualmente é cada vez mais raro ver o FC Porto comprar bom e barato, como acontecia no passado.

Merece a SAD ser fortemente criticada por ter chegado a este ponto? Claro que sim! Toda a gente o sabe, mesmo aqueles que vão apregoando o contrário e tentando defender o indefensável. Há quem. talvez por não ser livre de dizer o que verdadeiramente pensa, diga que se vai afastar porque não se revê nesta forma de estar de quem dirige o clube. Mas aí daquele que ouse levantar uma dúvida que seja, porque se lhe perguntarem o FC Porto é um exemplo a ser seguido por todos no que à gestão desportiva e financeira diz respeito. Uma idiossincrasia muito em voga nesta altura.

Há uns dias perguntei o que mudou em tão pouco tempo, numa alusão à mentalidade ganhadora e inconformada que me habituei a ver na comunidade portista e que se tem perdido pouco a pouco. Nesse dia dei dois exemplos dessa forma de estar, hoje deixo outro. Encontre as diferenças.

26 de março de 2016

Que futuro esperar?

Diz o ditado que em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Se considerarmos que o pão de um clube são os títulos então está explicada a constante troca de galhardetes entre os portistas mais inconformados, que não admitem uma época má que seja, e aqueles defendem cegamente a estrutura muitos deles apoiados na ideia que o clube já viveu momentos piores e que se quem lá está agora foi capaz de ganhar no passado então também será no futuro.

Qualquer uma das facções tem razão em muitos pontos, mas ao fim de três épocas de sportinguizaçao do meu clube vejo-me forçado a pender para o lado dos inconformados. Em causa não está o valor de quem no passado fez o FC Porto chegar ao topo ou se conseguirão ganhar no futuro, o ponto aqui é perceber se o título de campeão voltará à Invicta como regra ou como excepção.

Já tive oportunidade de dizer que a mim não me incomodam que se façam transferências com valores altos, sejam eles o valor do passe, comissões, ou essa treta toda que tomou conta do futebol contemporâneo, desde que sejam contratados jogadores de qualidade e que isso não ponha em causa o futuro do clube. Não me incomodou o valor de Hulk, nem de Danilo, nem de Alex Sandro e por aí fora. Mas nos últimos três anos a conversa tem sido outra: o plantel está cada vez mais fraco mas, ao contrário do que seria de esperar, está cada vez mais caro.

É lógico que quem gasta o que a SAD do FC Porto gastou para (não) ganhar o que o FC Porto (não) ganhou tem de ser contestado. Seja ele quem for. A administração é paga a peso de ouro - basta consultar os documentos enviados à CMVM para ver os valores astronómicos - mas tem feito um trabalho miserável, sendo que na presente temporada roça mesmo o amadorismo.

O rumo tomado desde a saída de André Villas-Boas tem enfraquecido a posição do clube no panorama do futebol nacional e europeu. As parcerias com os fundos e grupos de empresários deixaram de resultar tornando os plantéis cada vez mais dispendiosos e desequilibrados, sendo ainda entregues a treinadores quase sem experiência. Se assim voltaremos a ganhar? Isso de certeza que sim, só não sei dizer é daqui a quanto tempo e com que frequência.

Mas não peço a cabeça de ninguém, só peço que acordem de uma vez por todas.

24 de março de 2016

Números inéditos e a defesa do FC Porto

Enquanto o campeonato está parado é preciso fazer qualquer coisa para entreter o pessoal, pelo menos é o que terá pensado a malta que manda e desmanda no que se passa no clube. E talvez movidos por essa ideia decidiram, via Dragões Diário, apontar a tudo o que mexe. Primeiro Vítor Baía, agora o Tribunal do Dragão. Já não é a primeira vez que um assalariado do FC Porto "decide" que é boa ideia atacar publicamente, cada um dentro dos seus níveis de literacia, quem crítica qualquer coisa no clube, como aconteceu por exemplo com o rapidamente abafado Tactical Porto ou com o Mística do Dragão. Todos eles se queixaram de ter sido insultados - seja em forma de comentários nos respectivos espaços ou pelas redes sociais - após esses eventos, depois ainda têm a lata de criticar quem prefere manter o anonimato... Recentemente Augusto Inácio falava em cães de fila a defender os interesses do Benfica, no FC Porto parece haver um Inquisição que visa tratar daqueles que são incapazes de comer tudo sem questionar.

Mas como a pausa da Páscoa ainda está para durar, deixo aqui uma sugestão aos assalariados do FC Porto bastante simples e - embora não tenha dados concretos para o afirmar fá-lo-ei na mesma - popular entre os portistas: pegar em meia dúzia de lances dos jogos do Benfica e perguntar a quem de direito, até pode ser via Dragões Diário, como é que nessas jogadas não foi expulso o jogador da equipa em questão ou por que motivo o árbitro entendeu que não era falta para grande penalidade contra o actual líder do campeonato. Não é necessário ter uma imaginação muito fértil para imaginar uma classificação com os três da frente bem juntinho, talvez até por outra ordem, caso os números na imagem à direita (ou em cima se estiver a ler no telemóvel) fossem mais homogéneos. O desempenho de Xistra no Braga - FC Porto é um exemplo claro daquilo que Benfica e Sporting nunca enfrentaram na presente temporada e que tem afectado o FC Porto com demasiada frequência e que continuará enquanto nada for feito para o evitar. E para começar a compilação deixo aqui dois lances que passaram por entre os pingos da chuva que é a análise da comunicação social:

Lindelöf faz falta na área do Benfica e vê
o árbitro marcar livre contra o Tondela.
Resultado na altura: 1-0; Resultado final: 4-1
Eliseu faz falta para amarelo, que seria o segundo, no início da segunda parte
do Boavista- Benfica mas o árbitro faz vista grossa.
Resultado na altura: 0-0; Resultado final: 0-1
Vamos lá então fazer a defesa do FC Porto...

22 de março de 2016

Usar o clube como escudo


No dia em que se comemorava o primeiro aniversário do último penálti assinalado contra o Benfica, Jonas diz que ninguém tem sido beneficiado e Vítor Baía queixa-se da forma como a SAD tem gerido o FC Porto. E para onde se viraram as atenções do clube? Se disse "para o colinho aos vermelhos" enganou-se redondamente. Na edição de hoje (22/03/2016) do Dragões Diário é dirigido uma parágrafo ao antigo guarda-redes e assumido pretendente ao cargo de presidente do FC Porto. E qual é o motivo por trás disso? Aparentemente o facto de Vítor Baía se ter enganado em alguns factos, mas nem sempre as coisas são tão simples assim.

Os defensores incondicionais de Pinto da Costa têm por costume assumir qualquer critica à administração do clube como um vil ataque ao presidente. Nada mais errado, como aliás provam as constantes declarações do próprio Pinto da Costa sobre o facto de a restante administração ter liberdade e poder para tomar decisões e colocá-las em prática sem que tenham de passar pelo filtro presidencial.

E o problema de Pinto da Costa não é Vítor Baía, porque o ex-guarda-redes não parece interessado em concorrer à presidência do clube contra o actual presidente. Por outras palavras, Vítor Baía não é ameaça à actual direcção da SAD. Mas então qual é o motivo que faz com que quem dirige o clube sinta a necessidade de atacar quem os critica? A resposta é simples: a sucessão.

Neste momento Pinto da Costa está rodeado de aspirantes a presidente por todos os lados, sendo que a cada ano que passa aparecem mais e mais. Uns vão entrando devagarinho no dia-a-dia do clube, enquanto outros são afastados com violência por quem manda neste momento no FC Porto. Um exemplo disso mesmo foi António Oliveira, que se viu ser atacado na comunicação social pela estrutura azul e branca porque reunia os requisitos que Vítor Baía reúne neste momento: era uma voz crítica e era apontado como candidato à sucessão de Pinto da Costa.

Na época passada Vítor Baía foi parvinho o suficiente para negar publicamente os evidentes benefícios da arbitragem ao Benfica - situação que tentou corrigir mais tarde -, mas já este ano teve a a audácia de falar em reuniões secretas, nas costas de Pinto da Costa, de pessoas ligadas ao FCPorto para preparar a sucessão e a lucidez para não se candidatar contra o actual presidente porque, além de não ter a mínima hipótese, seria enxovalhado publicamente por aqueles que olham para um crítico/concorrente a um lugar que ainda está ocupado e vêem um inimigo.

Quem está neste momento no comando do FC Porto usa os meios que o clube lhe põe à disposição para defender a própria pele e, se sobrar tempo, aí sim se defende o clube. Foi assim recentemente com Carlos Abreu Amorim, como foi mais atrás com António Oliveira e como é agora com Vítor Baía. Entretanto, os Jonas deste campeonato continuarão a mergulhar descaradamente e a viciar resultados a favor das respectivas equipas sem que ninguém ligado ao FC Porto faça qualquer coisa.

Para terminar deixo o mesmo pensamento com que finalizei o texto onde falei sobre o processo movido pela administração da SAD ao já mencionado Carlos Abreu Amorim: Uma coisa é certa, enquanto que estiver à frente do clube não o defender com a mesma energia que defende a si próprio será difícil que o FC Porto volte a ser um clube vencedor.

Eu, javardo, rafeiro, escroque da pior espécie, gente desprezível, frustrado, traumatizado da vida, sem coragem e sem carácter me confesso

Faz parte da minha rotina ler a maioria dos blogs portistas que existem e, quando o assunto me chama a atenção, dou também uma vista de olhos nas respectivas caixas de comentários. Assim sendo, foi num misto de espanto e de satisfação que vi alguém dar eco ao post anterior a este em vários outros espaços onde se vive o FC Porto, situação que foi aceite com naturalidade pela maioria dos respectivos autores. Muito provavelmente estará nesta altura a perguntar-se o motivo desta conversa toda, mas já lá chegamos. É claro que no meio de tanto blog houve alguém a sentir-se incomodado e a partir para o insulto que, já agora aproveito para esclarecer, não é a primeira vez que tal sucede .

Isto fez pensar no seguinte: em que momento uma pessoa deixa de ser portista e passa a ser seguidista? Para mim, ser portista é ser alguém que apoia o FC Porto nos bons e nos maus momentos, não é alguém que defende incondicionalmente quem está no clube, seja ele um jogador, um speaker, um treinador ou até mesmo um presidente. Por muito que essas pessoas possam ter feito pelo clube no passado, não são o FC Porto. Apoiar qualquer coisa que nos metem à frente, apenas porque há anos e anos de bom trabalho para trás, é seguidismo puro.

E nos últimos dias parece que decidiram sair todos da toca. Pior! Preferem defender quem não precisa de defesa, porque além de ter o futuro garantido no clube e tem um passado que fala por si, em vez de defenderem aquilo que precisa ser defendido, que é o Futebol Clube do Porto. De um dia para o outro fiquei com a sensação que Pinto da Costa precisa de freteiros ou lambe-cús para continuar como presidente do clube, tal foram as declarações do género "sempre Pinto da Costa na primeira ou na segunda divisão", dor assumida também pelo Dragões Diário que esfregava na cara daqueles que preferiam ver um rosto novo a liderar o clube que o actual presidente tem o apoio das casas e delegações do FC Porto, quase em simultâneo em que no facebook de alguém que tem um cargo com um nome chique no clube se comentava que os 26% que não apoiam a actual administração são 30 ou 40 ranhosos.

Não se enganem. Apesar de estar completamente saturado pelos erros grosseiros da SAD nos últimos anos, considero que Pinto da Costa merece nova oportunidade para sair pela porta grande e que tem todas as capacidades para o fazer. Depois disso é dar oportunidade a gente nova, porque a grande maioria dos actuais dirigentes portistas já conseguiu provar ser incompetente mesmo tendo a supervisão do melhor presidente da história do futebol mundial.

Isto só será possível se toda a gente, ou pelo menos a maioria, perceber que é impossível defender bem o FC Porto quando se apoia alguém, seja ele quem for, incondicionalmente. E podem contar comigo para defender o clube, dentro dos meus meios, entenda eu que o inimigo está dentro ou fora de portas, e nem que para isso tenha de suportar as investidas de meia dúzia de personagens de ideologia duvidosa. Pelo FC Porto vale a pena.

20 de março de 2016

A democratização da estupidez

Se há coisa que a Internet nos trouxe foi a possibilidade de qualquer um, por mais estúpido, desinformado ou mal-intencionado que seja, poder transmitir para todo mundo uma opinião. A prova disso mesmo é você estar a ler isto nesse momento. A estupidez tornou-se acessível a todos, enquanto antigamente era a comunicação social e quem tinha acesso à mesma a ter o monopólio dessa forma de pensar. Hoje em dia não é preciso ir para a televisão para tentar fazer valer uma ideia estúpida, basta criar um blog, ou uma conta em qualquer rede social, e com relativa facilidade se cria uma audiência.

Serve isto para dizer que tenho lido muita merda sobre o que levou o FC Porto a chegar a este ponto e que, apesar de haver muitos pontos de vista válidos, há um que me choca particularmente, que é dizer com desdém que afinal a troca de treinador não resolveu nada e que mais valia Lopetegui não ter saído.

Em primeiro lugar gostaria de esclarecer duas coisas: que fui a favor da manutenção do basco no comando da equipa para esta segunda época porque acreditei nele quando disse que aprendeu com os erros do ano que na altura havia terminado, mas também cedo percebi que afinal, como diz a música, era só jajão e que com ele como treinador seria mais um ano seco para o clube. Quanto a José Peseiro, foi obviamente uma solução de recurso que pode ou não ficar para a próxima época, mas que está automaticamente ilibado de qualquer culpa na maioria das coisas que possam ainda correr mal. E é isto que passo a explicar.

Uma das coisas que li num outro blog portista - que não vou mencionar mas qualquer um chega lá se reflectir um bocadinho - e me fez rir foi uma comparação entre os recursos disponíveis entre Benfica e FC Porto. Chegando ao ponto de comparar Gudiño, de 18 anos, a Ederson, de 22 e com experiência de primeira liga e Liga Europa, ou então Chidozie, também ele de 18 anos e ainda nem há um ano médio-defensivo, com Lindelöf, jogador com vários anos de segunda liga e já com 21 anos sendo ainda campeão da Europa desse escalão. Depois talvez movidos pela ideia estúpida de que um jogador não se desenvolve a partir de uma certa idade, dizem que como o Jardel tem o FC Porto no plantel, ignorando que o brasileiro é facilmente o melhor defesa-central do Benfica graças à enorme evolução registada nos últimos anos.

Só uma pessoa com muito má-vontade pode comparar o plantel à disposição dos dois treinadores. Enquanto para as laterais Rui Vitória tem Nélson Semedo, André Almeida, Eliseu, Sílvio e ainda foi buscar Grimaldo em Janeiro, José Peseiro tem Maxi, Layún e foi obrigado a recorrer a Ángel, uma das cartas fora do baralho até para Lopetegui. Até se pode argumentar que o André Almeida só defensa e se comporta quase como um defesa-central que actua na linha e é quase verdade, mas que necessidade tem o Benfica de contar com os laterais se tem um ataque tão poderoso por si só? E aqui se encontra a maior lacuna deste FC Porto: o poderio ofensivo.

Se gozar com as opções dos encarnados para a defesa, dizendo por exemplo que o Eliseu é gordo e mais não sei o quê, pode parecer pertinente para alguns, o que dizer das opções azuis e brancas para o ataque? Aboubakar e Corona parecem viver num mundo à parte, Varela está farto de ser jogador de futebol e tanto Suk como Marega parecem condenados ao estigma social de jogador útil, que aos olhos da maioria dos portistas mais não significa do que alguém que só serve para jogar quando não há mais ninguém. Do outro lado - leia-se no Benfica - Há Jonas, Mitroglu, Jiménez, Salvio, Pizzi, Carcela, Gaitán, Talisca e por aí fora. Pode-se alegar o que quiser, afirmar que um só marca golos a equipas pequenas e outro nem no Canelas 2010 tinha lugar, mas ninguém pode negar o óbvio: há opções para o treinador explorar e ninguém pode dormir à sombra da bananeira porque a qualquer momento perde o lugar. E quando lhe falta essa diversidade nas escolhas, as dificuldades para ganhar jogos são evidentes, apesar do sistema montado para bater nos clubes pequenos desde há seis anos para cá.

É aqui que reside o grande problema de José Peseiro e que já se notava em vários antecessores: a falta de pressão sobre os titulares vinda do banco. Aboubakar pode continuar a fazer o favor de jogar pelo FC Porto que acabará sempre por voltar à titularidade porque há muito se tornou óbvio que a SAD pressiona as equipas técnicas para que "protejam" o investimento.

Olhando a todas as condicionantes (falta de opções para a defesa, falta de opções para o ataque, favorecimentos aos rivais e arbitragens habilidosas em momentos chave com prejuízo claro para o FC Porto), só se pode concluir que o trabalho de José Peseiro tem de ser considerado, no mínimo dos mínimos, aceitável. Não só porque a equipa é agora capaz de marcar golos, mas principalmente porque não cede à primeira adversidade.

Não sei se o ribatejano continuará no clube em 2016/2017, mas se isso se verificar merece que a SAD lhe dê um plantel com condições para lutar pelos títulos que o clube ambiciona e que os adeptos parem de procurar incessantemente e em todo lado coisas para implicar. Se ninguém no clube quer ou consegue lutar contra o que se passa fora do campo e que favorece em muito Benfica e Sporting, que pelo menos se dê à equipa condições para lutarem dentro das quatro linhas.

16 de março de 2016

Baader-Meinhof Phenomenon ou Síndrome de Peseiro?


Sabe aquela sensação de ver em todo lado uma coisa que só recentemente descobriu? Se é portista, é provável que neste momento sofra essa perturbação. E não, não falo da palavra nepotismo que passou a ser comum quando se fala da SAD do FC Porto depois de Carlos Abreu Amorim a celebrizar. O acontecimento que desencadeou o Baader-Meinhof Phenomenon na comunidade portista foi a chegada de José Peseiro ao Dragão fazendo-se acompanhar das já centenas de notícias e artigos de opinião que dão conta das dificuldades na transição defensiva visíveis em todas as equipas por onde passou.

O Marcano falou o corte e deu golo do Braga? "Só fica espantado quem quer, tal é a dificuldade que o Peseiro tem em montar uma boa transição defensiva." O plantel não tem defesas-centrais disponíveis, Layún e Chidozie terão de ser opções de recurso. "Tudo bem que havia vários jogadores castigados na defesa e meio-campo, mas aquela transição defensiva deixa muito a desejar!" O Maicon tenta fintar na defesa e oferece um golo a um adversário já depois deste ter marcado um golo na primeira jogada do encontro: "tudo isto era evitável com uma transição defensiva mais forte." E o penálti do Jonas em Paços de Ferreira? "Pouco me importa, enquanto o Porto não conseguir reagir rapidamente à perda de bola, com uma transição defensiva digna desse nome, não adianta pensar nisso." Aboubakar falha um golo de baliza aberta: "com a transição defensiva deficiente que esta equipa apresenta desde a chegada do Peseiro, sorte tivemos nós de o contra-ataque não ter dado golo." Os torniquetes da Porta 12 estão avariados outra vez? "Maldita transição defensiva, vai ser a ruína deste clube."

Transição defensiva. Transição defensiva. Transição defensiva. Parece que é esta a causa de todos os problemas do FC Porto. Pelo menos é uma coisa de aparente fácil resolução, o que indicia que o futuro será risonho mesmo que o sistema continue a favorecer descaradamente os grandes da capital e a SAD continue a fazer plantéis desequilibrados e com lacunas óbvias em alguns sectores. Basta resolver a maldita transição defensiva e tudo vai ao sítio.

14 de março de 2016

É assim tão difícil de perceber?


O recente movimento "volta Lopetegui" tem-me feito alguma confusão. Desde logo porque o basco não fez nada que mereça esse tipo de saudosismo, se ainda fosse "volta Jesualdo" ou "volta Vítor Pereira" ainda percebi, porque esses apesar de mal-amados por grande parte das massa adepta lá conseguiram ganhar qualquer coisita. Chorar por um treinador que desfilou incompetência e teimosia não me parece um caminho muito bom para se seguir.

Assumo desde já que quem diz uma coisa dessas é porque ainda não parou para pensar e se o fez é porque se esforçou para não perceber. Duvido que seja assim tão difícil chegar à conclusão de que o Chidozie foi chamado à titularidade porque não havia mais ninguém, que o Layún só joga como defesa-central porque não há mais ninguém e que a equipa está uma lástima do ponto de vista físico porque foi mal preparada nesse sentido desde o dia um desta época. E de quem é a culpa disto? Até posso dar uma pista: não é de José Peseiro.

A realidade é que o FC Porto está nesta situação por culpa da SAD e de Lopetegui e seus adjuntos. A administração não conseguiu formar um plantel equilibrado - ou permitiu que o anterior treinador o quisesse assim - e a equipa técnica que começou a actual temporada não soube dar aos jogadores o que eles precisavam para um ano desgastante.

Não sei se José Peseiro teria feito melhor, mas criticar duramente alguém que entrou a meio e que tenta juntar os cacos é tudo menos inteligente. Dizer ou escrever "volta Lopetegui" em qualquer lugar, olhando a tudo isto, é digno de uma criança mimada que não sabe o que quer ou de alguém que começou a ver futebol há duas semanas.

13 de março de 2016

Benfica controla as arbitragens e a comunicação social

Que grande parte dos árbitros têm um fraquinho pelo Benfica não é novidade para ninguém. Que os media portugueses dão preferência aos clubes lisboetas, em especial ao que joga de vermelho, já toda a gente sabe. A única coisa a acrescentar nisto tudo é que quem o confirma é o actual treinador do Sporting e que nas seis épocas anteriores esteve no comando do rival Benfica.

Quem não se lembra de Jorge Jesus chorar junto do quarto árbitro por um empurrãozinho da equipa de arbitragem em beneficio do Sporting sob a ameaça "eu sei coisas do ano passado"? O que pouca gente se lembra - ou faz por não se lembrar - é um pouco mais complexo. Sporting - Estoril foi o jogo em questão e a equipa da casa venceu por 1-0 com um golo alcançado através da marcação de uma grande penalidade conseguida em fora-de-jogo mais do que evidente. E o árbitro da partida, de quem Jorge Jesus sabia coisas do ano passado, que era? A pergunta só não dá prémio porque a resposta é demasiado fácil. Isso mesmo, Jorge Ferreira que, entre outras coisas, tem no palmarés, recheado de benefícios sempre em prol dos mesmos, a expulsão de um jogador da equipa da casa no, até esse momento complicado para a equipa lisboeta, Moreirense - Benfica.

Episódios como este, com origem no passado e consequências na época actual, existem vários. E o facto de ninguém pegar neles é simples de explicar: o controlo que os grandes de Lisboa têm sobre a comunicação social. O histórico de favores é enorme e cada vez mais desenvergonhado, por isso não deveria ter espantado ninguém quando o actual treinador da equipa de Alvalade insinuou que sabe muito bem como se planta contrainformação porque o aprendeu no tempo que passou no vizinho da Luz.

Da época passada só uma coisa mudou: além do Benfica, também o Sporting tem andado à boleia de quem apita. Muito pelo facto de Jorge Jesus estar a par de várias coisas do passado e que, como o próprio tem vindo a provar pouco a pouco, não terá problemas em descredibilizar o trabalho que desenvolveu no Seixal só para demonstrar que Luís Filipe Vieira e companhia há muito tempo controlam os apitos em Portugal. Até agora, graças a uma rede de favores bem montada, a generalidade da comunicação social tem conseguido assobiar para o lado como fez quando o ex~´arbitro Marco Ferreira disse em público e com todas as letras que era pressionado pelo Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem, para facilitar a vida ao Benfica. Veremos o que acontecerá quando Jorge Jesus perceber que o primeiro lugar está fora do alcance do Sporting e seja ele próprio a afirmar o mesmo.

Entretanto estas forças vão trabalhando na sombra para manter o actual líder, que segue sem qualquer penálti marcado contra, e o FC Porto, única equipa do campeonato sem qualquer adversário expulso, atrás do Sporting. O problema é que os leões não parecem muito satisfeitos com a ideia de ficar em segundo lugar e toda a gente sabe o que acontece quando se zangam as comadres...