23 de outubro de 2016

Baías e Baronis - FC Porto 3 vs Arouca 0


Se não sabe onde encontrar a versão original desta rubrica então é bem provável que tenha aterrado na Bluegosfera de pára-quedas neste preciso momento. Seja bem-vindo! Hoje, excepcionalmente, só porque fiquei de bom humor com a vitória por 3-0 sobre o Arouca que começou logo após um empate do Sporting em Alvalade, vou copiar de forma descarada o Porta 19. Vamos a notas:




(+) A linha defensiva e Danilo. Se não viu Casillas durante o jogo todo a culpa deve ser atribuída quase de forma exclusiva a estes cinco artistas. Rijos e inteligentes como deviam ser todos os jogadores do FC Porto, travaram bem cedo qualquer iniciativa atacante que o Arouca ambicionasse ter.

(+) Diogo Jota: avançado, extremo e construtor de jogo. Se Nuno pretende manter o 4-4-2 como modelo principal então este rapaz não pode sair da equipa. Pelo menos enquanto não aparecer outro com esta capacidade de movimentação. Recuou para começar jogadas; deu largura ao flanco esquerdo que, até entrar Brahimi e ao contrário do direito, não tinha nada que se assemelhasse com um extremo; auxiliou André Silva no centro do ataque; assistiu. No fundo só faltou mesmo marcar para que se possa dizer que fez tudo.

(+) André Silva, o ponta-de-lança. Marcou dois, podiam ter sido mais. Mas há um dado que ninguém pode negar: qualquer um dos golos que assinou foram daqueles que na gíria de tratam como sendo À ponta-de-lança. No primeiro teve toda a calma do mundo, no segundo a pujança que se exige naquele tipo de situações. Enquanto as más-línguas dizem que precisa falhar nove para marcar um, André Silva soma já sete golos em oito jogos e está no topo da lista dos marcadores empatado com... Marega.

(+) A entrada de Brahimi. Pelo segundo jogo consecutivo o argelino saiu do banco para agitar o jogo da equipa. Deu largura ao flanco esquerdo como Óliver nunca conseguiu e procurou de forma incessante o golo durante os cerca de trinta minutos que esteve em jogo. Felizmente viu essa vontade ser satisfeita em cima do apito final e aproveitou os festejo para mandar para o caralhinho de forma figurada mas muito pouco subtil os milhares que o assobiavam por tentar levar a bola para a frente quando tinham passado a hora de jogo anterior a fazer o mesmo porque ninguém o tentava. Delicioso.



(-) Herrera. Não digo que seja suficiente para vencer o Dragão de Ouro para melhor treinador mas colocar Herrera a fazer de Óliver que por sua vez foi tentar fazer de Otávio deveria valer a Nuno uma menção honrosa durante a entrega do prémio. Quanto à exibição do mexicano, mais do mesmo. Começou um pouco perdido no meio, passou para a direita com as entradas de Rúben e Brahimi e continuou um pouco perdido e acabou o jogo perdido entre o flanco esquerdo e o centro. No fundo é essa a palavra que define Herrera nos últimos três anos: perdido.

(-) Casillas. Esqueceu-se de levar guarda-chuva para um jogo em que não teve trabalho absolutamente nenhum e logo numa noite onde a chuva se fazia notar. Inadmissível num guarda-redes com esta experiência. Veremos se este descuido não lhe trará problemas de saúde nos próximos dias.



Jogo de sentido único e com uma exibição agradável que vale o primeiro lugar à condição. Segue-se agora o Vitória de Setúbal.

18 de outubro de 2016

Jogo perigoso


Sei que o título é ambíguo, que muitos vão pensar que me refiro à infracção clara que o árbitro italiano deixou passar e que deu o 1-0 ao Club Brugge, ou que se trata de uma alusão à forma consistente com que a SAD nos brinda com prejuízos avultados no final de cada exercício, ou até, quem sabe, do fantasma que voava sobre as cabeças dos portistas no intervalo do jogo de hoje e que ameaçava com um cenário de um ponto apenas ao fim de três jornadas de Liga dos Campeões. E embora fosse possível qualificar qualquer um destes cenários como "jogo perigoso", nenhuma das resposta é a correcta.

Lembra-se de se queixar - e de certeza que já o fez - que o FC Porto oferecia demasiadas vezes 45 minutos ao adversário? Esqueça isso, agora são 60. O que não aparenta ser uma melhoria, diga-se. Foram dois terços do jogo à espera de uma jogada com pés e cabeça que só chegou com a entrada de Corona e Brahimi e a consequente alteração táctica. Diogo Jota e Herrera não estavam bem na partida e foram substituídos em momento oportuno, assim como igualmente assertivo foi deixar cair o 4-4-2 e apostar no 4-3-3 nesse preciso momento.

Isto está longe de ser uma crítica a Nuno Espírito Santo. Aliás, até é o contrario. É bom que o treinador dos dragões tenha uma ideia e se apresente numa fase inicial com ela - que nos últimos tempos tem sido o tal 4-4-2 -, mas melhor ainda é que tenha a humildade de admitir durante os 90 minutos que se calhar existe outra forma de abordar o problema e decida abdicar da ideia inicial em favor de uma outra que aparenta ser melhor. Se a equipa perdia por 1-0 e sentia dificuldades em criar perigo graças ao sistema escolhido pelo Nuno, também é verdade que foi da mesma pessoa a decisão de alterar o modelo e lançar o 4-3-3 para a última meia-hora permitindo assim a reviravolta. O talento dos jogadores fez o resto.

Um cenário que chegou a ser negro é agora mais azul graças a um passo enorme dado na Bélgica com a vitória por 1-2 que esteve quase a tornar-se uma miragem. O apuramento para a fase a eliminar está nas mãos do FC Porto que depende apenas de si para o conseguir. Segue-se agora o Arouca, no próximo sábado, a contar para o campeonato.

5 de outubro de 2016

Ter razão não chega


Fernando Saul, responsável pela ligação entre o clube e os adeptos, recorreu à página pessoal de facebook para criticar de forma aberta o Sporting pelos preços exigidos aos sportinguistas para assistirem ao vivo aos jogos contra Real Madrid e Borussia Dortmund. Eis o texto na integra:
«Nós adeptos dos grandes que tanto e bem criticámos os preços exorbitantes muitas vezes praticados contra os nossos clubes nos jogos fora, depois assistir a isto acho ridículo e inacreditável.Obviamente na casa deles mandam eles mas isto é síndrome de clube pequeno.Como gosto de futebol e tenho algumas responsabilidades acho que isto não devia existir!É apenas a opinião de alguém que gosta de futebol e que acha que o futebol sem adeptos morre e isto até pode resultar um dia e dar uma grande receita mas no futuro mata o futebol num país pequeno como o nosso onde as pessoas infelizmente fazem muitos sacrifícios para apoiarem os clubes que amam!»
A opinião deste dirigente portista fez-se acompanhar por uma imagem onde era possível ver que o rival lisboeta está a cobrar pelo bilhete mais barato para público €50 para o jogo frente aos alemães e €60 para a partida diante dos espanhóis.

A não ser ter-se tratado de um recado/desabafo para dentro - que sendo o caso não tem razão de existir porque quem o deu tem toda a facilidade em dá-lo directamente a quem decide estas coisas -, Fernando Saul perdeu mais uma enorme oportunidade de estar calado. Tendo em conta o cargo que ocupa, seria de esperar que o autor desta crítica tivesse consciente que o FC Porto na época passada exigiu também €50 como preço mínimo a qualquer simples adepto que quisesse assistir no Dragão ao jogo frente ao Dortmund mas a contar para a Liga Europa e que, já este ano, o preço mínimo exigido a quem não pode ser sócio do clube para o bilhete do FC Porto - AS Roma era de €40.

Se o objectivo era atingir o Sporting lamento dizer mas o tiro saiu para o próprio pé. Se o recado era para dentro - o que, repito, duvido muito porque infelizmente quem está no FC Porto é pago para pouco mais que dizer que sim a tudo, comer e calar - espero que os recados deixem de ser mandados pelas redes sociais. Que se deixe isso para os blogs, assim até se ganha um novo alvo para criticar quando as coisas derem para torto: aqueles que se atrevem a criticar.

Votando ao título: ter razão não chega, é preciso dar o exemplo e fazer melhor.